A fazenda de 123 alqueires, localizada no distrito de Travessão, em Campos dos Goytacazes (RJ) e ocupada na manhã desta quinta-feira (24) por cerca de 500 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), está com plantio de cana.
A propriedade, conhecida como Fazenda São Cristóvão, pertence ao Grupo Othon, que detém aproximadamente 400 alqueires de terras nos municípios de Campos e São João da Barra.
De acordo com informações de uma fonte do setor agroindustrial local, a fazenda estava em plena produção de cana-de-açúcar, com 32 alqueires cultivados com cana planta, matéria-prima de maior valor comercial por ainda não ter sido cortada.
A cana era destinada à Usina Sapucaia, sob administração da Coagro (Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro).
Ainda segundo a fonte, a área foi arrendada pela Coagro e posteriormente coarrendada a um produtor local, prática comum da cooperativa em relação a propriedades de usinas desativadas.
Entenda a ocupação
A ocupação faz parte da Jornada Nacional Camponesa, mobilização anual do MST que marca o 25 de julho, com protestos e ações diretas em várias partes do país. O objetivo é cobrar do Governo Federal avanços na política de reforma agrária, que segundo o movimento está estagnada.
O lema da jornada deste ano é “Para o Brasil alimentar, Reforma Agrária Popular!”, e denuncia a concentração fundiária em mãos de grandes grupos econômicos. Um dos responsáveis pela organização da ocupação seria um produtor rural identificado pelo codinome Chiquinho, junto com um de seus filhos.
A ação reacende o debate sobre a função social da terra e o destino de grandes propriedades ociosas ou com uso restrito ao agronegócio, especialmente em uma região que já foi um dos grandes centros de produção da indústria sucroalcooleira.








