Cerca de 500 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam as proximidades da Usina Sapucaia, em Campos dos Goytacazes (RJ), nesta segunda-feira (7), em protesto pela conclusão da reforma agrária na região. A manifestação integra a Jornada Nacional do MST, que marca os 29 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 21 sem-terra foram assassinados pela Polícia Militar no Pará.
As famílias, acampadas há um ano às margens da BR-101 no Acampamento 15 de Abril, exigem que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-RJ) finalize o processo de adjudicação das terras da Usina Sapucaia e da Cooperativa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Coagro). Ambas acumulam dívidas milionárias com a União, conforme dados oficiais:
Dívidas da Usina Sapucaia e Coagro
- Usina Sapucaia S/A (CNPJ: 33.229.147/0001-07):
- Tributário (demais débitos): R$ 103,4 milhões
- Tributário (previdenciário): R$ 91,4 milhões
- Multas trabalhistas: R$ 7 milhões
- FGTS: R$ 6,1 milhões
- Total: R$ 208,1 milhões
- Coagro (CNPJ: 05.500.757/0001-68):
- Multas trabalhistas: R$ 108.162,68
Conflitos e repressão
A adjudicação permitiria ao governo federal destinar as terras à reforma agrária, quitando parte das dívidas. A área em disputa inclui as fazendas Santa Luzia e Tabatinga, cujo processo de aquisição pelo Incra está em tramitação há uma década.
Em fevereiro, as famílias ocuparam a Fazenda Santa Luzia, mas foram retiradas pela Polícia Militar, que bloqueou o acesso a água e alimentos.
O governador Cláudio Castro (PL) ordenou a desocupação sem diálogo, criticada por parlamentares como a deputada Marina do MST (PT), que defendeu a legitimidade das ocupações.
O MST reforça que há 100 mil famílias acampadas no país e critica a disparidade de investimentos: enquanto a reforma agrária recebeu R$ 400 milhões no orçamento de 2025, o agronegócio obteve R$ 400 bilhões via Plano Safra e R$ 30 bilhões em isenções fiscais.
O movimento defende a agricultura familiar como solução para a fome e a inflação dos alimentos.
A pressão ocorre em meio a anúncios do governo Lula, que liberou R$ 1,6 bilhão para novos assentamentos, mas, segundo o MST, as medidas ainda são insuficientes.
Enquanto isso, a Usina Sapucaia segue produzindo açúcar e etanol sob gestão da Coagro, comandada pelo vice-prefeito de Campos, Frederico Paes (MDB).








