A Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro cassou os diplomas da prefeita reeleita de Cardoso Moreira, Geane Cordeiro Vincler (UB), e da vice-prefeita Neriète Navarro Alves (Progressista) por abuso de poder político durante a campanha eleitoral de 2024.
A sentença, proferida pelo juiz Rodrigo Pinheiro Rebouças, da 141ª Zona Eleitoral da Comarca de Italva e Cardoso Moreira, concluiu que Geane coordenou um grupo de monitoramento para perseguir adversários, incluindo a candidata a vereadora Angela Lucia Quintanilha Campos Braga, autora da ação.
Perseguição e uso da máquina pública
A decisão destacou que Geane Vincler, à frente da prefeitura, utilizou servidores comissionados e veículos públicos para intimidar a oposição.
Entre as provas, vídeos mostraram perseguições com carros oficiais, como um HB20 de um motorista da Secretaria de Saúde, e abordagens ilegais por um policial reformado que se identificou como “fiscal do TRE”.
O grupo, organizado pelo secretário municipal Aétio Papaleos, agia sob ordens diretas da prefeita, segundo depoimentos.
Compra de votos não comprovada, mas abuso político reconhecido
Embora a acusação de compra de votos não tenha sido comprovada, o juiz considerou “grave e intolerável” o uso de recursos públicos para coibir a liberdade política. A autora, Angela Braga, relatou ter sido seguida por veículos e teve seu carro revistado sem justificativa dois dias antes das eleições.
A decisão judicial expõe esquema de perseguição durante as eleições de 2024
Após a vitória de Geane, os envolvidos celebraram nas redes sociais, com o carro usado nas perseguições adesivado como “O PERSEGUIDOR”.
No ano passado, o Ministério Público Eleitoral, por meio da 141ª Promotoria Eleitoral (Italva e Cardoso Moreira), chegou a instaurar um procedimento preparatório eleitoral para apurar notícias de possível abuso de poder político e econômico pela prefeita.
A promotoria apontou três fatos que deveriam ser investigados. Um deles consistia a suspeita de coação para que secretários municipais usassem seus cargos em favor da campanha à reeleição.
“Nos outros dois”, apontou a promotoria, “a prefeita estaria explorando politicamente de forma abusiva o drama e as necessidades da população cardosense”.
Ela estaria pessoalmente entregando remédios para a população que precisava recorrer à Secretaria Municipal de Saúde, bem como teria ido pessoalmente fazer a entrega de benefícios sociais para os atingidos pelas chuvas. O secretário de saúde do Município é José de Castro Abreu Mello, esposo da prefeita.
Inelegibilidade e consequências
Além da cassação dos diplomas, Geane Vincler foi declarada inelegível por 8 anos. A vice Neriète Navarro teve o mandato atingido por integrar a chapa eleitoral. O Ministério Público Eleitoral ressaltou que a decisão visa preservar a “lisura do processo democrático”.
A defesa de Geane e Neriète alega “injustiça” e planeja recorrer, mas a sentença já é considerada um marco no combate a práticas abusivas em eleições municipais.







