“Me criticar sem conhecer a minha realidade é fácil; estão me matando todos os dias”, diz Édson Almeida, pai de Édson Davi, que desapareceu há exatamente um mês, na praia da Barra da Tijuca. Almeida, que estava trabalhando como barraqueiro no momento da ocorrência, afirma que não descuidou do filho e que tem certeza que não houve afogamento.
A declaração foi dada neste domingo, durante um protesto realizado no local do desaparecimento do menino e que pede pela solução do caso, e nega a afirmação da delegada titular da Delegacia da Descoberta de Paradeiros (DDPA), Elen Souto.
A policial afirmou, neste sábado, não ter dúvidas que faltou cautela ao pai de Édson Davi durante o trabalho na barraca. Segundo ela, nenhum indício da investigação aponta para a possibilidade de sequestro, aventada pela família.
— Não há dúvidas que houve falta de vigilância e cautela do pai de Édson Davi. Nem todo corpo afogado aparece, principalmente no mar da Barra. Pode ficar preso em pedras, bem como ser direcionado para alto mar — afirmou a delegada.
De acordo com Elen, a barraca de Edson dos Santos Almeida, pai do garoto, era uma das mais movimentadas naquele dia:
— Sabemos que a falta de atenção ocorreu em razão do trabalho, pois o pai estava atendendo cerca de 60 pessoas sozinho. Tivemos o acesso das máquinas de cartões e constatamos que, às 17h, horário em que o menino não foi mais visto, todas as barracas estavam fechando as contas. Naquele dia, a barraca dele foi a mais movimentada no trecho da praia — declarou a policial.
Já Almeida afirma que no momento do desaparecimento estava atendendo três famílias e que o filho estava acostumado a acompanhá-lo em dias de trabalho bem mais intenso.
— Desde a barriga da mãe, ele vai com a gente para a barraca. Estava acostumado, não saia muito de perto e nunca tive problemas, mesmo com a praia lotada. Aquela dia estava nublado e não tinha tanto movimento assim. Ele tinha medo da água, jamais entraria no mar sozinho — comenta.
— Meu coração de pai tem certeza que não foi afogamento. Alguém levou ele e quem conhece a gente também sabe. Eu e minha esposa estamos há um mês sem trabalhar, sem conseguir comer direito, sem conseguir viver, sobrevivendo e cuidando do nosso filho de quase três anos, que é autista e precisa de cuidados especiais. Os barraqueiros já fizeram uma vaquinha para nos ajudar, mas o que queremos mesmo é nosso Davi de volta — acrescenta.
Almeida diz ainda que sua família se mantém de pé por causa da fé e faz um apelo para que se alguém tiver qualquer informação que possa ajudar não deixe de divulgar.
— Eu sei que muita gente está me criticando, inclusive nas redes sociais, estão me matando todos os dias. Mas o Davi é a nossa riqueza, jamais descuidei do meu filho. Deus sabe de todas as coisas e é a nossa fé que mantém a nossa família de pé — diz Almeida, que frequenta a Igreja Batista Atitude no Recreio.
Na noite dessa sexta (3), uma ossada encontrada perto do local onde o menino desapareceu, na Praia da Barra, foi recolhida pelo Corpo de Bombeiros e levada para o Instituto Médico-legal (IML). Peritos estão analisando os restos mortais para saber se são do menino.
Com informações do Jornal O GLOBO.








