A Doosan Robotics, fabricante coreana de robôs especializados em tarefas como servir cervejas, preparar cafés e até fazer frangos fritos, já vale US$ 200 milhões na Bolsa, o equivalente a R$ 1 bilhão.
A empresa fez sua abertura de capital na Bolsa de Seul no início deste mês e seu sucesso reflete o boom dos chamados “cobôs”, ou robôs colaborativos, cuja adoção por empresas dos mais diversos setores está em franca expansão.
Os “cobots” são braços robóticos que trabalham lado a lado com humanos em tarefas que vão além das funções repetitivas típicas de uma linha de montagem fabril. São usados no varejo e em serviços os mais variados, como lidar com bagagens em um aeroporto.
– Este é um mercado que está começando a decolar – disse o CEO da empresa, Ryu Junghoon em uma entrevista à Bloomberg News.
O mercado global de robôs colaborativos, avaliado em US$ 1,2 bilhão este ano, deve atingir US$ 6,8 bilhões até 2029, segundo previsão da Markets and Markets.
A Doosan é a líder do setor na Coreia do Sul. Suas ações estrearam na Bolsa no início do mês com um salto de 98% já no primeiro dia de negociações. Hoje, estão cotadas a 41.300 wons – valor bem acima dos 26.000 pelo qual foram listadas na Bolsa.
A empresa atualmente produz 13 braços robóticos com diferentes capacidades de carga e alcance. Sua estratégia é investir em aprimorar esses braços robóticos, em vez de criar robôs humanoides, explicou Ryu.
A Doosan também aposta em inteligência artificial, com o objetivo de tornar seus robôs mais amigáveis. Em agosto, a empresa firmou um acordo com a Microsoft para usar seu serviço Azure OpenAI em um sistema de controle de robôs baseado em inteligência artificial generativa. Com essa integração, um usuário poderia dar um comando de voz simples para preparar um prato ou dois, e o robô poderia determinar uma sequência de tarefas ótima para concluir uma refeição.
A posição da Coreia do Sul como uma potência global em tecnologia e engenharia pode dar a Doosan uma vantagem única na indústria de robôs colaborativos, avalia Ryu.
A Coreia do Sul é líder mundial em adoção da tecnologia, empregando 10 trabalhadores na indústria para cada robô industrial, de acordo com o relatório World Robotics 2022 da Federação Internacional de Robótica.
É também uma estratégia para lidar com um mercado de trabalho restrito, já que o país tem a menor taxa de fertilidade do mundo.
A Doosan Robotics foi fundada em 2015, depois que o conglomerado sul-coreano Doosan Group identificou a robótica avançada como uma área de crescimento. Ryu, de 49 anos, ocupou cargos-chave na estratégia corporativa e em novos projetos do grupo por cerca de oito anos antes de ser nomeado CEO da Doosan Robotics em 2021.
A Doosan obteve uma receita de 45 bilhões de won em 2022, o equivalente a US$ 33 milhões, colocando-a entre o as maiores produtoras de robôs colaborativos do mundo. Seus clientes incluem a Hyundai, a LG e a L’Oréal.
-A Coreia tem um ambiente muito favorável para os fabricantes de ‘cobôs’ – diz Ryu.
Com informações do Jornal O GLOBO.








