Um equipamento de ressonância magnética nuclear, desenvolvido com tecnologia nacional, será usado para monitoramento e exploração de poços de petróleo pelo Laboratório de Engenharia de Poços e Engenharia Mecânica do Instituto Alberto Luiz Coimbra da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ). A instituição já tem parcerias com a Petrobras, a BR e a Petrogal para a utilização da tecnologia.
O aparelho Specfit foi inteiramente desenvolvido no Brasil pela empresa Fine Instrument Technology (FIT) e adquirido pelo Programa de Planejamento Energético da Coppe com recursos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), informou o coordenador do programa, professor Maurício Arouca. O projeto teve recursos de R$ 1,8 milhão da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, para o desenvolvimento da tecnologia.
O equipamento será usado no desenvolvimento de aplicações de ressonância para monitoramento e exploração dos poços de petróleo. Segundo Arouca, pela primeira vez serão feitas aplicações de ressonância em laboratório. “Esse é o primeiro [aparelho] feito no Brasil com essa finalidade.”
Tecnologia conquista mercados
Atualmente, existem aplicações de ressonância na exploração de petróleo por uma única empresa no mundo (Schlumberger), mas com instrumentos dentro dos poços. O Laboratório de Engenharia de Poços pretende utilizar o Specfit para trabalhar com empresas que atuam na exploração de petróleo no Brasil.
O professor explicou que a ressonância é uma tecnologia nova no mundo. O primeiro equipamento comercial, da empresa norte-americana GE e da alemã Siemens, foi feito em 1983 e voltado para a área da saúde. “Agora, está se começando a fazer uma série de aplicações para outras áreas, como alimentos, segurança e petróleo.”
A perfuração e a operação dos poços de petróleo demandam o desenvolvimento de tecnologias para extrair petróleo de dentro da rocha. Para isso, é necessário conhecer a estrutura interna da rocha, o que existe lá dentro, se é água, gás, petróleo e quais são as condições que devem ser provocadas para que o petróleo saia mais facilmente.
“A ressonância é usada para você conseguir ler o que está acontecendo na rocha. Sabendo o comportamento dela, você pode aplicar determinadas tecnologias para aumentar a produção”, informou Arouca. Ele estimou que o aumento de apenas 1% na produção de um poço de petróleo significa muito valor agregado à operação.
Inicio dos testes
Outra aplicação do equipamento de ressonância Specfit é no monitoramento do poço, porque o conhecimento em tempo real do que está ocorrendo dentro do local pode dar às empresas condições de prever se o poço vai entrar em colapso dentro de algum tempo. “Você já antecipa as providências de reparo, para não ficar com o poço parado durante meses, porque isso seria um prejuízo gigantesco”, destacou Arouca.
O equipamento será inaugurado a partir do próximo dia 20, quando começarão a ser testadas amostras de rochas. Arouca disse que, “a grosso modo”, a técnica da ressonância complementa a de raios X, que retrata os elementos sólidos da rocha.
“[Com o raio X] você não consegue pegar os líquidos que estão lá dentro, como óleo, gás e água. E a ressonância é exatamente o contrário. Ela dá uma noção muito boa de tudo que tem hidrogênio”, explicou o coordenador. Com as duas informações, é possível reproduzir a rocha virtualmente, facilitando a descrição do que ocorre a cada intervenção feita no material.
*Com informações da Agência Brasil








