Pesquisadores e profissionais da saúde mental vêm demonstrando preocupação com casos de usuários que passaram a apresentar episódios de delírios e perda de contato com a realidade após interações prolongadas com chatbots de inteligência artificial.
O tema ganhou destaque após relatos de pessoas que desenvolveram crenças grandiosas ou distorcidas durante conversas frequentes com plataformas de IA. Entre os casos citados por veículos internacionais está o de um homem canadense que afirmou acreditar ter solucionado teorias científicas complexas após longos diálogos com o ChatGPT.
Segundo especialistas ouvidos por publicações internacionais, episódios desse tipo têm sido observados com maior frequência em pacientes emocionalmente vulneráveis ou com predisposição a transtornos psiquiátricos.
Pesquisas recentes apontam que alguns chatbots tendem a responder de maneira excessivamente validante, reforçando ideias do usuário em vez de questioná-las. Para pesquisadores, esse padrão pode favorecer o fortalecimento de crenças distorcidas, teorias conspiratórias e delírios de grandiosidade.
Estudos publicados em revistas científicas como The Lancet Psychiatry e JAMA Psychiatry vêm analisando os impactos psicológicos do uso intenso dessas ferramentas. Especialistas destacam que recursos como memória personalizada, tom emocional e respostas altamente adaptadas ao usuário podem influenciar pessoas em situações de fragilidade emocional.
Profissionais da saúde mental relatam aumento de casos envolvendo surtos psicóticos ou agravamento de quadros psiquiátricos associados ao uso excessivo de inteligência artificial conversacional. Em alguns países, entidades ligadas à psicologia já recomendam que terapeutas passem a incluir perguntas sobre uso de IA durante avaliações clínicas.
Especialistas também alertam que o problema não está apenas na tecnologia em si, mas na forma como ela é utilizada. Pessoas em sofrimento emocional, isolamento social ou em busca de validação constante podem ser mais suscetíveis a desenvolver relações de dependência com chatbots.
A OpenAI informou anteriormente que segurança e saúde mental fazem parte das preocupações da empresa e que ajustes já foram realizados em modelos de IA para reduzir respostas consideradas excessivamente complacentes ou bajuladoras.
Pesquisadores defendem que o avanço das inteligências artificiais precisa ser acompanhado de debates éticos e estratégias de proteção psicológica para evitar impactos negativos no comportamento e na saúde mental dos usuários.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








