A primeira imagem de um buraco negro da história, divulgada em 2019, ganhou nesta quinta-feira uma versão mais nítida. Agora, o M87* pode ser visto com mais definição e detalhes inéditos. Esse estudo histórico, realizado pelo Instituto de Estudos Avançados de Princeton, nos EUA, foi chefiado por uma brasileira.
Doutora em Física pela Universidade da Califórnia-Santa Bárbara, a carioca Lia Medeiros tem o amor pela pesquisa no sangue. A brasileira, de 32 anos, é filha de um professor universitário e soube desde a infância que a dedicação à ciência era um caminho para ela.
Ao GLOBO, a astrofísica revelou que a nova imagem de M87* é mais nítida e mostra que o anel do buraco negro é mais fino do que se sabia anteriormente.
— A partir dessa descoberta, podemos concluir que o buraco negro engole pouca matéria. O instituto onde trabalho foi onde Albert Einstein passou no final da carreira. A foto permite que a equipe teste a teoria de gravidade dele — explica.
Lia espera que a visibilidade alcançada pelo estudo chefiado por uma brasileira possa contribuir para a valorização da ciência produzida no Brasil. A doutora deseja motivar meninas a entrarem no ramo.
— Acredito que essa seja uma oportunidade de inspirar a juventude feminina. Mostrar a elas que passar a vida estudando como o universo funciona é uma carreira possível — diz.
Junto com outros profissionais que fazem parte do projeto de colaboração internacional Telescópio do Horizonte de Eventos (EHT, em sigla em inglês). Veja abaixo uma comparação entre a primeira imagem e esta, mais nítida:
Na imagem “atualizada”, o buraco negro — que está a cerca de 50 milhões de anos-luz da Terra — ganhou uma região central maior e mais escura.








