A rotina de atendimento ao público tem colocado trabalhadores de diferentes setores diante de situações de estresse, pressão e conflitos frequentes.
Entre os profissionais mais expostos estão aqueles que atuam na área da saúde, onde episódios de agressões verbais e tensão durante os atendimentos têm se tornado uma realidade cada vez mais comum.
Segundo levantamento do Conselho Federal de Medicina, aproximadamente 80% dos trabalhadores das áreas médica e de enfermagem afirmam já ter enfrentado algum tipo de agressão no ambiente de trabalho.
Um enfermeiro que atua em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) relatou, sob anonimato, que enfrenta diariamente situações de hostilidade durante o atendimento aos pacientes. De acordo com ele, a dificuldade de acesso aos serviços, a falta de vagas e a demora para conseguir consultas acabam gerando insatisfação, que muitas vezes é direcionada aos profissionais que estão na linha de frente.
“São pacientes que chegam por ordem de uma consulta, por problemas crônicos ou agudos, e não tem a vaga. Essa insatisfação gera agressões, palavrões, xingamentos e ofensas”, afirmou.
O profissional também relatou que os impactos dessas situações ultrapassam o ambiente de trabalho. A exposição constante a conflitos tem provocado alterações na rotina pessoal, incluindo dificuldades para dormir e aumento da ansiedade.
O problema faz parte de um cenário mais amplo de crescimento dos afastamentos relacionados à saúde mental no mercado de trabalho brasileiro. Dados do Ministério da Previdência Social indicam que, em 2025, mais de 500 mil trabalhadores precisaram se afastar de suas atividades profissionais devido a transtornos mentais.
O número representa um recorde nacional e mantém a sequência de crescimento registrada nos últimos anos. Em 2024, o Brasil já havia alcançado o maior volume de afastamentos por problemas psicológicos da última década.
Entre os grupos profissionais mais afetados estão trabalhadores do comércio varejista, profissionais de limpeza, professores, enfermeiros, auxiliares de escritório, assistentes administrativos e operadores de produção.
Especialistas avaliam que o aumento dos casos está relacionado a uma combinação de fatores, como pressão por produtividade, excesso de demandas, contato frequente com o público, falta de estrutura adequada e exposição contínua a situações de conflito.
Na área da saúde, esses desafios se tornam ainda mais intensos. Além da responsabilidade emocional de lidar com pacientes em situações de vulnerabilidade, profissionais enfrentam problemas como alta demanda, equipes reduzidas e limitações no atendimento, fatores que contribuem para o desgaste físico e psicológico.
O avanço dos afastamentos por transtornos mentais reforça a necessidade de ampliar políticas de prevenção, melhorar as condições de trabalho e criar ambientes profissionais mais seguros para trabalhadores que atuam diretamente com o público.
*Da Agência Fonte Exclusiva








