O avanço do surto de ebola no leste da República Democrática do Congo passou a preocupar ainda mais as autoridades de saúde após ataques registrados contra hospitais que atuam no tratamento da doença.
As ocorrências foram registradas na província de Ituri, área onde os primeiros casos recentes da infecção foram identificados. Profissionais que trabalham na região relataram invasões a unidades hospitalares, destruição de estruturas médicas e fuga de pacientes que estavam sob monitoramento.
No Hospital Geral de Mongbwalu, uma das principais unidades envolvidas na resposta sanitária, ataques foram registrados em dois momentos distintos durante o fim de semana. Após a confusão, dezenas de pessoas deixaram o local, incluindo pacientes em observação.
Segundo o diretor da unidade, Richard Lokodu, tendas utilizadas no atendimento de infectados pela organização humanitária Médicos Sem Fronteiras foram incendiadas por suspeitos ainda não identificados.
As equipes médicas confirmaram que ao menos uma pessoa diagnosticada com ebola deixou a área de isolamento e segue sem controle das autoridades sanitárias. O temor é que isso aumente o risco de disseminação do vírus em comunidades próximas.
De acordo com relatos de profissionais da saúde, parte da revolta teria sido motivada pela insatisfação de familiares de vítimas, que exigiam a liberação imediata dos corpos para cerimônias tradicionais de sepultamento.
Especialistas alertam, porém, que vítimas fatais da doença continuam transmitindo o vírus após a morte, tornando os funerais um dos principais focos de contaminação durante surtos de ebola.
A situação reforça os desafios enfrentados pelas equipes médicas no país africano, que além da contenção da doença, precisam lidar com insegurança, desinformação e resistência de parte da população às medidas sanitárias.
*Da Agência Fonte Exclusiva








