A epidemia de Ebola provocada pelo vírus Bundibugyo continua avançando na África Central e permanece sob atenção internacional.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o surto registrado na República Democrática do Congo (RDC) já é o maior de Ebola já identificado no país, superando a epidemia ocorrida entre 2018 e 2020.
Até 30 de julho, a RDC contabilizava 3.605 casos confirmados e 1.587 mortes. Considerando também os registros em Uganda e casos relacionados a pacientes atendidos fora dos países afetados, o total chegava a 3.626 casos confirmados e 1.589 mortes.
A OMS classificou a situação como uma emergência de saúde pública de importância internacional em 17 de maio, após a confirmação da doença na RDC e em Uganda. A organização destacou, na ocasião, o risco de disseminação internacional, mas esclareceu que o evento não atendia aos critérios para ser considerado uma emergência de pandemia.
Doença já alcança cinco províncias
O surto, inicialmente concentrado na província de Ituri, avançou para outras regiões da República Democrática do Congo. Segundo a atualização mais recente da OMS, casos foram identificados em 49 zonas de saúde distribuídas pelas províncias de Ituri, North Kivu, South Kivu, Haut-Uélé e Tshopo.
A expansão territorial é um dos fatores que aumentam a complexidade da resposta. Ituri possui intenso fluxo de pessoas e atividades comerciais e está próxima de Uganda e do Sudão do Sul, o que favorece deslocamentos entre diferentes áreas.
A OMS também ressalta que parte do aumento registrado nos números está relacionada ao fortalecimento da vigilância epidemiológica, da testagem e da capacidade de diagnóstico. No entanto, a organização afirma que a maior parcela do crescimento reflete a própria expansão do surto.
Transmissão continua sendo desafio
A identificação de todas as cadeias de transmissão é considerada uma das principais dificuldades para controlar a epidemia. A circulação de pessoas entre áreas afetadas e a dificuldade de acesso a algumas regiões complicam o trabalho das equipes de saúde.
Em Uganda, os casos registrados foram epidemiologicamente relacionados à transmissão originada na RDC. O país chegou a registrar 20 casos confirmados e iniciou o período de vigilância reforçada após não identificar novos casos desde 21 de junho.
Além do rastreamento de contatos, as autoridades vêm ampliando a vigilância, a capacidade laboratorial e a preparação dos serviços de saúde para detectar e tratar novos casos.
Variante Bundibugyo não tem vacina específica licenciada
O surto atual é provocado pelo vírus Bundibugyo, uma espécie do Ebola. A OMS informa que, até o momento, não existe vacina licenciada específica nem tratamento específico aprovado para essa variante. O atendimento precoce e os cuidados de suporte são considerados fundamentais para aumentar as chances de sobrevivência.
A taxa de letalidade entre os casos confirmados na RDC chegou a aproximadamente 44% até 30 de julho. No início de julho, a OMS também incluiu o primeiro teste molecular específico para o vírus Bundibugyo em sua lista de uso emergencial, medida destinada a ampliar a capacidade de diagnóstico rápido da doença.
Embora não exista uma vacina específica licenciada para essa variante, a OMS avalia possibilidades de utilização de candidatos vacinais. Em uma reunião realizada no fim de julho, um grupo técnico da organização recomendou priorizar a vacina Ervebo em um estudo de fase 3 no contexto do surto, enquanto permanece a busca por uma vacina específica contra o Bundibugyo.
OMS reforça resposta internacional
Desde a declaração da emergência internacional, a OMS vem apoiando as autoridades da RDC e de Uganda em ações de vigilância, rastreamento de contatos, preparação e atendimento clínico, controle de infecções, distribuição de suprimentos e mobilização das comunidades.
A organização também considera a participação da população um componente essencial da resposta. A colaboração das comunidades facilita a identificação de novos casos, o acompanhamento de contatos e a adoção de medidas capazes de interromper as cadeias de transmissão.
Com o aumento dos casos, a expansão para novas zonas de saúde e a circulação de pessoas entre países da região, a situação continua exigindo acompanhamento permanente. Para a OMS, a combinação de vigilância epidemiológica, diagnóstico, atendimento rápido, preparação dos serviços e cooperação entre os países permanece fundamental para tentar conter o avanço do surto.
*Da Agência Fonte Exclusiva








