Pesquisadores têm alertado que nem toda perda de memória progressiva em idosos é causada pelo Alzheimer. Uma condição chamada LATE — encefalopatia TDP-43 relacionada à idade com predomínio límbico — tem sido identificada em cerca de 20% desses casos, afetando regiões do cérebro associadas à memória e ajudando a explicar a resistência a tratamentos convencionais para Alzheimer.
Descrita formalmente em 2019 pela Universidade do Kentucky, nos Estados Unidos, a LATE envolve o acúmulo anormal da proteína TDP-43 no hipocampo e na amígdala, estruturas cruciais para a formação e consolidação da memória.
Diferentemente do Alzheimer, que está relacionado às proteínas beta-amiloide e tau, o reconhecimento da LATE permite diagnósticos mais precisos e definição de estratégias terapêuticas adequadas.
Segundo o neurologista Iron Dangoni, “identificar a LATE ajuda a entender por que alguns pacientes não respondem aos tratamentos voltados exclusivamente para Alzheimer”.
Demência e diagnóstico
A demência se manifesta por sintomas como esquecimentos frequentes, repetição de perguntas, dificuldade em lembrar nomes e compromissos. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece diagnóstico e acompanhamento multidisciplinar, contribuindo para retardar sintomas e melhorar a qualidade de vida, sendo que até 45% dos casos podem ser prevenidos ou retardados, segundo dados do Ministério da Saúde.
O diagnóstico da LATE é desafiador, pois o exame definitivo só é possível após a morte. “Os sintomas são muito semelhantes aos do Alzheimer, e atualmente não conseguimos detectar com precisão a TDP-43 em vida”, explica o neurocientista Eduardo Zimmer, da UFRGS.
Ensaios clínicos avançam nesse campo. A farmacêutica suíça AC Immune estuda uma molécula capaz de identificar depósitos de TDP-43 em exames de imagem, com resultados promissores em primatas, publicados na Nature Communications em 2025. Além disso, critérios clínicos recentes ajudam a classificar casos prováveis ou possíveis de LATE, combinando sintomas, exames de imagem e biomarcadores de Alzheimer.
Prognóstico e tratamentos
O declínio cognitivo em pacientes com LATE isolada costuma ser mais lento, enquanto a sobreposição com Alzheimer acelera a perda de memória. Estudos indicam que indivíduos com LATE isolada mantêm melhor desempenho cognitivo ao longo do tempo.
O primeiro ensaio clínico voltado especificamente para LATE testa o nicorandil, medicamento usado para angina na Europa e Ásia, com o objetivo de prevenir alterações cerebrais ligadas à doença. A pesquisa, conduzida pela Universidade do Kentucky, deve ser concluída em novembro de 2026.
Especialistas destacam que entender a LATE é essencial para diagnósticos mais precisos, melhor comunicação sobre prognóstico e desenvolvimento de novos tratamentos, além de aperfeiçoar ensaios clínicos focados em Alzheimer, evitando incluir pacientes com LATE de forma indevida.
*Da Agência Fonte Exclusiva








