Um estudo realizado no Reino Unido com mais de 470 mil participantes identificou uma associação estatística entre o uso frequente de protetor solar e uma maior incidência de melanoma e outros tipos de câncer de pele.
No entanto, pesquisadores e especialistas ressaltam que os resultados não demonstram uma relação de causa e efeito e reforçam que o protetor solar permanece como uma das principais medidas de prevenção contra os danos provocados pela radiação ultravioleta.
Em entrevista ao portal BFM.RU, o oncologista russo Yevgeny Cheremushkin afirmou que não existem evidências científicas capazes de comprovar que o uso de protetores solares provoque câncer de pele. Segundo o médico, pesquisas conduzidas em países com elevada incidência da doença, como a Austrália, apontam justamente benefícios relacionados ao uso adequado desses produtos.
Especialista aponta possível viés nos resultados
De acordo com Cheremushkin, a associação observada no estudo pode ser explicada por um viés de seleção. Pessoas com pele clara, que apresentam maior risco natural de desenvolver melanoma, costumam utilizar protetor solar com mais frequência, o que pode influenciar os resultados estatísticos.
O oncologista também destacou que fatores genéticos desempenham papel importante no surgimento da doença. Entre eles estão predisposição hereditária, maior quantidade de pintas, mutações genéticas e algumas doenças raras que aumentam o risco de câncer de pele.
Discussão sobre ingredientes dos protetores
O estudo também reacendeu o debate sobre a segurança de determinados componentes presentes em protetores solares, como o óxido de zinco. Para o especialista, parte das críticas envolvendo esses ingredientes pode estar sendo ampliada por disputas comerciais e processos judiciais envolvendo fabricantes.
Apesar das discussões, o médico reforçou que o protetor solar continua sendo recomendado principalmente durante períodos de intensa exposição ao sol, como em praias, piscinas e atividades ao ar livre, sempre com reaplicação após contato com a água ou suor excessivo.
Segundo ele, em situações de baixa exposição solar, especialmente em ambientes urbanos, a necessidade do uso diário deve ser avaliada conforme o perfil de cada pessoa e a intensidade da radiação à qual está exposta.
Radiação ultravioleta segue como principal fator de risco
Conforme dados da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 80% dos casos de melanoma estão associados à exposição à radiação ultravioleta.
Especialistas em dermatologia também orientam que a obtenção de vitamina D seja feita prioritariamente por meio da alimentação equilibrada ou de suplementação prescrita por profissionais de saúde, evitando a exposição prolongada ao sol sem proteção como estratégia para aumentar os níveis da vitamina.
*Da Agência Fonte Exclusiva








