Ao fazer panetones e doces sob encomenda, a ex-governadora do Rio, Rosinha Garotinho, não encontrou apenas uma boa terapia para sobreviver diante das atribulações pessoais, mas pode estar no caminho de desenvolver um manual de sobrevivência para milhares de pessoas que estão enfrentando a depressão, uma doença silenciosa que afeta milhões de pacientes.
Além de ex-governadora, Rosinha também foi prefeita de Campos dos Goytacazes de 2009-2012 e 2013 a 2016.
A última gestão foi conturbada, gerando uma série de processos controversos e prisões decorrentes de uma política judicializada aos extremos.
Neste momento de turbulência, a superação para muitos é uma fronta. Por isso, talvez, a ex-governadora seja alvo de tantas grosserias por parte de adversários, que apontam o dedo em riste e denunciam a tática de sobrevivência como um “ato de demagogia”.
Chega a ser cruel, é como se fazer panetone em casa para vender fosse crime.
Já para quem observa sob uma ótica positiva, a iniciativa é encorajadora e pode servir de inspiração coletiva. É possível que o valor financeiro arrecadado com os panetones não supra as demandas da família. A realização pessoal, no entanto, é indiscutível, porque empodera quando os detratores esperavam a ruína.
Poucas mulheres que chegaram ao status de governadora e prefeita, ainda que demagogia fosse uma necessidade de sobrevivência política, teriam a coragem de descer do salto e se deixar fotografar fazendo panetones. Jamais! Estariam comendo salame, arrotando caviar e fazendo selfies neste mundo de realidade virtual e de falsos ricos.
O estágio de dificuldades financeira na cidade de Campos dos Goytacazes (RJ) é resultado de mais um final de ciclo econômico. Esgotou-se a era do petróleo. Foi assim também com o fim do ciclo do açúcar, na década de 80. Falta de dinheiro não é o único problema. O maior de todos é possível que seja a falência moral e de valores. É uma triste realidade, mas Campos tem povo e não tem sociedade. As comunidades pobres são celeiros de uma força de trabalho incrível, com pessoas que sobrevivem às adversidades como podem. Por outro lado, a classe média é um núcleo decaído, viciado em sobreviver às expensas do poder público em momentos de euforia financeira. Por isso, uma ex-governadora fazendo panetone soa tão estranho.








