O prefeito de Campos (RJ), Wladimir Garotinho (sem partido), iniciou a cerimônia de “abraço da morte” nos vereadores de oposição que aderiram ao governo. O faz com certo deleite, porque em seus planos não há lugar para os adesistas que pularam o alambrado. Seriam apenas aliados circunstanciais com prazo de validade até o próximo pleito.
Quem entra em política para fazer negócios não faz leitura de conjuntura, por isso os incautos são presas fáceis no ardil do garotismo.
Cenário que se desenha
O processo eleitoral de 2024 traz alguns ingredientes que já terão o potencial de promover uma renovação na próxima legislatura. Um deles é a fusão entre legendas que não atingiram a cláusula de barreira ou que estiveram ameaçadas.
Esse foi o caso do PSC e Podemos, que agora formam uma única legenda. Se em 2020 os dois partidos lançaram 26 candidatos cada um na maior cidade do Norte Fluminense, após a fusão esse será o número de candidatos para as duas legendas. Ou seja, um partido saiu do jogo e consequentemente cai o número de vagas para candidatos.
O mesmo processo está em curso com a fusão entre PTB e Patriota, Solidariedade e PROS, União Brasil e PP. Algo tem torno de seis partidos deixam de existir.
Além desse critério, temos as federações formadas entre PT, PV e PC do B; PSDB e Cidadania; Rede e PSol. Fala-se ainda em uma possível federação unindo PDT e PSB.
Nesses casos, são 26 vagas distribuídas entre os membros da federação partidária, obedecendo regras ligadas ao tamanho de cada legenda.
Sendo assim, inúmeros vereadores, ainda que tenham domínios sobre legendas que sobreviveram às fusões ou criação de federações, enfrentarão dificuldades de acomodação na formação de nominatas. Efeito colateral também decorrente do afunilamento é a dificuldade de convencer candidatos dispostos a entrar em partidos com parlamentares de mandato disputando reeleição.
Carro de político não tem retrovisor: Na página do prefeito Wladimir Garotinho, no Instagram (post abaixo), a cena com os vereadores Nildo Cardoso e Abdu Neme, no mais tradicional estilo “agora somos governo”. São dois ex-opositores cavando oportunidade na máquina com orçamento de R$ 3 bilhões anuais. Outros tentaram e colheram desalento.
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Cuidado com ele
Neste jogo de xadrez não será com Wladimir Garotinho que os vereadores adesistas irão se criar. Até recentemente estavam participando de uma oposição estridente e agora, além das dificuldades impostas pelas novas regras do jogo, terão que disputar assento com quem está acomodado na janela do buzu oficial. É natural que os que comeram osso com o governo agora tenham a perspectiva de saborear a carne, mesmo que Wladimir seja um ingrato por natureza.
Ainda que haja sorrisos, fotos e afagos, as feridas persistem entre governo e adesistas. Como dizia o ex-deputado Alberto Dauaire, político até perdoa, mas não esquece. Boa sorte aos que aceitaram o sétimo selo. Para saber do que se trata, recomendo a película dirigida por Ingmar Bergman, em 1957.
Dito popular: “Catitu fora da manada é papa de onça.








