Ressaca pós-eleição presidencial no Brasil deixou um saldo de racismo e preconceito social contra eleitores de Dilma, mas quem votou na reeleição paga o preço pela opção preferencial do governo pelo mercado financeiro |
A última eleição presidencial deixou como saldo negativo uma onda de preconceitos exacerbados contra os beneficiários dos programas sociais do governo Federal.
Os pobres que saíram da extrema pobreza por meio dos programas sociais do governo foram responsabilizados pela reeleição de Dilma Rousseff (PT) na disputa contra Aécio Neves (PSDB), candidato mais identificado com a classe média conservadora. Quem perdeu, resolveu profanar a democracia liberando o demônio que se traveste com diferentes cores na multifacetada sociedade brasileira. Surgiu no horizonte a linha divisória, até então maquiada, que separa as classes sociais e econômicas no país.
A classe pobre votou com o mesmo pragmatismo do andar de cima. Optou pela candidata que personificou a garantia de continuidade dos programas sociais citados como referência mundial no quesito distribuição de renda. Optou e capitalizou o ódio de quem perdeu.
O pobre não agiu diferente o servidor público federal que fez sua opção pela candidata do partido que surfou na onda do crescimento econômico e pode garantir os melhores reajustes salariais em comparação com os governos do PSDB. Como também não fez diferente dos financistas de campanhas eleitorais que investem pesadas somas em candidatos para pactuar negócios com o Estado.
Contudo, as manifestações de racismo e preconceitos sociais foram deliberadas nas redes sociais. Houve até eleitor afirmando que deixaria o Brasil para viver em Miami.
O pobre votou Dilma e paga um preço alto, diga-se de passagem, já que o ajuste econômico implantado no segundo governo pintou a administração com cores tucanas. O arrocho salarial, o desemprego, a alta da inflação são os sintomas da opção preferencial do governo pela cartilha do mercado financeiro. Há um arrocho em curso, que sacrifica o pobre e a sociedade como todo, para pagar juros da dívida. Ou seja, o Brasil está produzindo para pagar banqueiro.
Mas ainda sobre a ressaca pós-eleitoral, o comportamento do brasileiro de classe média não mudou por conta da reeleição de Dilma. O andar intermediário apenas ecoou o seu pensamento em relação à classe mais pobre.
Para o brasileiro médio liberar R$ 8,8 bilhões do BNDES (dinheiro público) para financiar o Porto do Açu, em São João da Barra, um empreendimento iniciado pelo empresário Eike Batista e eivado de suspeitas, é mais justo do que pagar uma renda mínima a família que vive em extrema pobreza.
É como se a pobreza estivesse associada ao crime e a corrupção simbolizasse a esperteza. É a banalização da desigualdade, da roubalheira e a mais clara demonstração de que somos um Brasil profundamente desigual, habituado a financiar o andar de cima para deixar cair migalhas para o andar de baixo.








