Os EUA não chegaram ao fim da Guerra quebrados. Em 1945, tinham metade do PIB mundial, 2/3 das reservas mundiais de ouro, 60% da capacidade industrial ativa mundial e 67% da capacidade produtora do petróleo |
Há 74 anos, eclodia a II Grande Guerra Mundial, em 22 de junho de 1941, quando Hitler invadira a URSS, rompendo com o Pacto Molotov-Ribbemtrop, assinado em 24 e agosto de 1939, em que a Alemanha nazista se comprometia em não agredir a Rússia. Antes, Hitler já invadira a Polônia, França, entre 1939 e 1940, sem contar com a anexação da Áustria e Tchecoslováquia.
Neste ano, comemoram-se os 75 anos do fim da II Guerra Mundial, 7 de maio de 1945, criando uma expectativa na humanidade de que acontecimentos funestos, que ela acabara de testemunhar, não aconteceriam mais.
Teria chegado a era da Paz. No entanto, o clima de Guerra Fria, com a divisão da Alemanha em dois territórios de influência político-econômica e ideológica opostas; a parte Ocidental sob a influência Norte-americana; e a parte Oriental, sob a influência da União Soviética, se estendeu até fins da década de 80, com a queda do Muro de Berlim, colocando o mundo, constantemente, sob a ameaça de um conflito nuclear de largas proporções.
A paz não veio. Sem contar com as pequenas guerras promovidas pelos EU, que invadiam territórios considerados hostis a seu povo e a outros países, alinhados aos interesses capitalistas Norte-Americanos. Também os conflitos étnicos, entre ex-repúblicas soviéticas. Um caldeirão que lança sua fumaça século XXI adentro, sem sabermos ao certo se a Paz um dia chegará com a clareza que lhe é necessária.
A Guerra mobilizou lideranças mundiais contra o avanço nazista. França, Inglaterra e EUA, grupo líder dos aliados, lutando contra Itália, Alemanha e Japão. Um conflito de grandes proporções que envolveu, direta ou indiretamente, todo o mundo, com um saldo de milhões de mortos. As consequências da Guerra, no âmbito da economia, foram alarmantes. Países da Europa foram devastados. A URSS, que ocupava metade oriental da Europa e a metade norte da Ásia, parte da Manchúria e da Coreia, regiões agrícolas e pobres, também foram totalmente devastadas.
E os EUA? Os EUA não chegaram ao fim da Guerra quebrados. Em 1945, tinham metade do PIB mundial, 2/3 das reservas mundiais de ouro, 60% da capacidade industrial ativa mundial, 67% da capacidade produtora do petróleo, além da maior Marinha e da maior Força Aérea do Planeta. Seus exércitos ocupavam parte da Europa Ocidental e o Japão áreas mais ricas e industrializadas do mundo antes da Guerra. As forças americanas ocupavam também parte do sudeste asiático metade da Península da Coreia e boa parte das Ilhas do Pacífico.
Os Estados Unidos da América não haviam sido efetivamente ameaçados durante a Guerra. Pode-se dizer que o combate mais próximo dos Estados Unidos foi no Havaí (Pearl Harbor).
Por trás da alegria pelo fim da II Guerra Mundial (1945), via-se, então, uma Europa destruída e tomada pelas duas forças militares das duas potências vencedoras: URSS e EUA. O resto do mundo não tinha força similar, e o que vai imperar será um sistema global bipolar (dois grandes polos). De um lado, os EUA; de outro, a URSS.
Os EUA adotavam uma economia capitalista, alegando ser a forma que melhor representava a democracia e a liberdade. Já a URSS enaltecia o socialismo, alegando ser a forma que mais protegia o trabalhador do mundo burguês, e propunha melhores soluções para os problemas sociais.
Sob a força das duas ideologias, o mundo se dividiu em dois blocos, liderados por cada um dos polos: a Europa Ocidental, América Central e América do Sul ficaram sob a influência cultural, ideológica e econômica norte-americana; parte do Leste Asiático, Ásia Central e Leste Europeu ficaram sob a influência soviética.
Duas ideologias opostas, Capitalismo e Socialismo. A divisão da Europa em Oriental, pró-URSS, e Europa Ocidental, pró-EUA como áreas de influência político-econômica distintas dessas duas potências criou um clima de tensão que ficou conhecido com o nome de Guerra Fria. E para marcar e separar fisicamente em lados opostos, a República Democrática Alemã (Alemanha Oriental) ergue um Muro, o Muro e Berlim que, além de dividir a cidade e as famílias ao meio, representava, naquele momento, algo ainda maior: a divisão do mundo em dois blocos.
A construção do muro começou no dia 13 de agosto de 1961, quando os soldados soviéticos estenderam 66,5 Km de grade metálica, 32 torres de observação, 127 redes metálicas eletrificadas com alarme e 225 pistas de corrida para cães de guarda ferozes.
No próximo dia 13 de agosto, o Muro estaria completando 52 anos, se não tivesse sido derrubado em 9 de novembro de 1989, abrindo caminho para a reunificação alemã e a abertura para um novo paradigma mundial.
*João Vicente Alvarenga, Professor, Mestre em Filosofia







