Joênia Wapichana aceita convite e será a nova presidente da Funai. Deputada é a única parlamentar indígena do Congresso atual e não foi reeleita. Funai passará à estrutura do inédito Ministério dos Povos Indígenas, a ser comandado por Sônia Guajajara. A PRESENÇA DE MULHERES em lideranças indígenas já é por si só um fato bastante positivamente político.
Suas presenças em dois postos estratégicos é de fundamental peso político nas questões indígenas de território e de direitos no todo: “Considerando toda a demanda dos povos indígenas, o desafio de uma reconstrução do país, fortalecimento dos direitos principalmente em relação à demarcação e à proteção das terras indígenas, da melhor forma possível […] eu aceitei esse convite e nós vamos estar fazendo o melhor possível pra trabalhar junto com o governo Lula nesse sentido de avançar nos direitos dos povos indígenas”, afirmou a parlamentar em entrevista coletiva.
Em entrevista, a nova líder com cargo disse: “Houve muita falta de investimento, principalmente no sentido de ser um órgão que é responsável por mais de 14% do território brasileiro” e “Então, tem várias prioridades. Principalmente, a questão de fazer com que o direito à terra esteja na mão dos povos indígenas e eles possam viver com tranquilidade. Então, vamos ter bastante trabalho aí”.
Sem dúvida, terá trabalho, muito trabalho, com liderança reconhecida para atender todas as demandas do povo indígena que, com toda razão e direito, pleiteiam variadas ações.
A questão indígena no Brasil traz uma nova perspectiva com a nova líder no cargo. Ela tem um currículo bastante respeitado politicamente. Sonia Bone de Souza Silva Santos, nome civil de Sonia Bone Guajajara OMC (Terra Indígena Arariboia, Maranhão, 6 de março de 1974), é uma líder indígena brasileira e política filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). É formada em Letras e em Enfermagem, especialista em Educação especial pela Universidade Estadual do Maranhão. Recebeu em 2015 a Ordem do Mérito Cultural. Foi considerada uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time. Tem cabedal e é o que não falta!
Atualmente, a liderança indígena é Coordenadora Executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e integrante do Conselho da Iniciativa Inter-religiosa pelas Florestas Tropicais do Brasil, iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
Em 2022, Sonia integrou a equipe de transição do terceiro governo Lula e foi anunciada como a primeira ministra dos Povos Indígenas. Seus pais eram analfabetos, mas aos 10 anos, saiu da sua terra para estudar na cidade de Imperatriz, onde trabalhou em casas de família em troca de moradia. Deixou Arariboia, aos 15 anos, contrariando a vontade dos pais, para estudar o ensino médio, em Minas Gerais, com o suporte da Funai. Após se formar na escola, retornou ao Maranhão e estudou Letras e Enfermagem na UEMA.
Além das duas graduações, Guajajara fez pós-graduação em Educação Especial. Foi conquistando espaço com a militância e ganhou projeção em órgãos internacionais, como no Conselho de Direitos Humanos da ONU.








