Sou um privilegiado por ter uma memória boa e vira e mexe lembro-me de recortes da minha memória quando da minha infância nas praias pela família frequentada. São sempre lembranças boas e que deixam saudades.
Hoje quero falar um pouco de lembranças que me vieram nesta manhã sobre minha infância e adolescência em Atafona, quando ainda veraneávamos nessa praia. Atafona era pungente, elegante, tinha o rio e comíamos caranguejada. E muito peixe.
Meus pais alugavam a casa de Seu Bento numa avenida que depois foi urbanizada, mas na década de 1960, tudo era ainda muito rústico, ruas de chão e areia, o rio paraíba na sua foz. Tomávamos banho de mar e depois vínhamos tirar o sal no Rio ao lado da Igreja de Nossa Sra. Da Penha. Era muito divertido e poético.
À noite dançávamos numa discoteca os hits da época como Beatles e Rolling Stones. Mãe fazia um enxoval de verão para cada um dos três filhos e íamos cheio de bermudas coloridas, camisas combinando e duas ou três sungas novas. Era uma felicidade sem tamanho!
Meu melhor amigo era Waldir, mas já convivia com gente mais velha do teatro, como Winston Churchill, entre outros que não me relembro. Saía à noite para mostrar as roupas havaianas e as sandálias de couro. Perto do carnaval, abri uma pequena modelagem de máscaras que eu mesmo fazia, pintava e vendia. Eram modelos diversos e eu não dava conta.
Fazia muito bem também pipas e todos adoravam os “piões” de bico que debicavam nos céus de Atafona procurando uma ao outro para “cruzarem”. As crianças corriam atrás dos que eram cortados pelo cerol do concorrente e isso tudo era uma festa a parte.
Quando chegava final de fevereiro e vinha o carnaval, os blocos de sujo eram muitos e variados. Festa!!! Muita festa!!! Máscaras feitas de fronha de travesseiro, outras compradas prontas. Comecei a fazer máscaras de papel machê, e tinha até um lucrozinho, pois as fazia com originalidade… diferentes, não as repetia. O nome disso era felicidade, hoje sei!
Chupar picolé era outra quase obrigatoriedade e os garotos vendiam-nos em caixas de isopor na rua. Que maravilha! Dos deuses! Picolés de frutas tropicais! Uma vez meu irmão menor engasgou e foi um deus nos acuda. Havia incidentes sempre. Claro que isso não nos impedia de estar sempre ligados nos Castelos de Areia que construíamos nas areias da praia mais badalada da região. Onde todos os campistas se instalavam em moradias próprias ou alugadas a fim de veranear e escapar da cidade nas férias. Era tudo de bom! Década de 60.
Voltávamos a Campos no último dia de fevereiro e ninguém se conformava muito, pois no início da semana começavam as aulas no Externato Eucarístico e todos tinham que estar prontos para “apanhar” de Dona Maria da Penha, diretora do Colégio Eucarístico e ainda aguentar as chatices de Padre Rosário. Melhor aluno cursei o Eucarístico até a quarta série, de onde fui transferido para o Colégio Salesiano onde cursei a quinta-série e fiz o Curso Ginasial até o quarto ano. O tempo voa. Parece que foi ontem!
Época de felicidade quando as novidades davam um calafrio e nos deixavam sem dormir. Felicidade é o nome da bola!








