Comandante de O Rebate, Milbs venceu um câncer de próstata e lutou bravamente contra um câncer de pulmão; sua morte é uma daquelas notícias que devastam o início de ano;
É com o coração duramente ferido que recebo a informação sobre o falecimento do jornalista José Milbs Lacerda nesta virada de 2018 para 2019.
Ele lutava bravamente contra um câncer de pulmão, diagnosticado no ano passado. Ainda que a doença não lhe desse trégua, impondo tratamentos quimioterápicos, ele acalentava sonho de reeditar com periodicidade quinzenal, a versão impressa de O Rebate. Um sonho que compartilhamos, mas que era sempre postergado, porque O Rebate sobrevivia ao longo de todos esses anos com sua página na internet. A ideia era o retorno de um jornal de Opinião, formato europeu, com uma linha editorial voltada para debater os principais problemas de Macaé e Região.
Milbs, o guerreiro, mantinha essa chama acesa, mas a plataforma digital, convenhamos, é um caminho sem volta. O stmartphone integra diferentes mídias, massificou-se e não há nada comparável para distribuição de conteúdo nos tempos atuais.
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Ainda assim, o comandante em chefe de O Rebate era um saudosista da era de Gutemberg, muito embora estivesse totalmente adaptado ao formato digital. Tinha o Rebate online, página no Youtube, era ativo no Facebook, Instagram e compartilhava conteúdos e reflexões pelo Whatsapp. Foi, portanto, um homem do seu tempo, mas modernizou-se e atuou como um jovem em início de carreira até os últimos dias de sua vida.
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As longas conversas com Milbs era sempre por telefone. Ele morava em um sítio aprazível no bairro Novo Caveleiros, zona mais afastada do centro. Juntamente com o Rebate, o sítio era seu orgulho, porque ali preservava cada traço de uma natureza que o crescimento desordenado provocado pela indústria do petróleo devastou nas outras áreas de Macaé. Era essencialmente um defensor da preservação ambiental e um defensor da liberdade de imprensa.
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As conversas foram sempre prolongadas sobre os mais variados temas. Nos últimos dias, tentei por várias vezes contato, porque pretendia marcar um encontro para um café da tarde, algo que estávamos combinando. Mas nas últimas três semanas não atendia e não dava respostas. Agora está explicada a razão.
Milbs estava de malas prontas para viajar, nos deixando um legado admirável de luta e persistência. Ele pressentia que a partida estava próxima. Vá em paz, guerreiro José Milbs!








