Ainda que seja 106 anos depois, é um passo histórico o reconhecimento, por parte dos EUA, do genocídio armênio.
A iniciativa anunciada pela Casa Branca por meio de um comunicado do presidente Joe Biden neste sábado (24), desagrada a Turquia, que historicamente nega esse crime contra a humanidade. Mas as provas são indeléveis.
Estima-se que 1,5 milhão de armênios foram executados pelo exército turco-otomano em 1915, no decurso da Primeira Guerra Mundial. As vítimas foram deportadas, massacradas ou marcharam para a morte em uma campanha de extermínio cruel.
As execuções foram as mais diversas, incluindo fuzilamentos, fome ou até mesmo degola. São crimes deploráveis, que não prescrevem e que exigem reparações e eventos históricos para que não caiam no esquecimento.
No território armênio, a máquina criminosa continua sendo operada, desta vez, pelo Azerbaijão com apoio da Turquia, na disputa pelo território de Nagorno-Karabakh, um conflito que ocorre na periferia da cobertura da imprensa internacional.
É possível que o reconhecimento do governo-norte americano insira este conflito na pauta para uma cobertura midiática imparcial e dentro deste novo contexto histórico.
Assim como poderá criar um precedente para que em um futuro muito próximo, quando no hipotético momento em que os laços entre a Casa Branca e o governo de Israel estremecerem, se reconheça o extermínio de palestinos.
Da mesma forma que os turcos-otomanos executaram os armênios, atualmente Israel, uma força ocupante na Palestina, promove execuções sistemáticas, além de encarceramentos e outras violações de direitos humanos contra a nação árabe.
Esse episódio, por sinal, é alvo de uma investigação no âmbito do Tribunal Penal Internacional, ainda que, contraditoriamente, sob oposição dos EUA.








