Nunca gostei de banalizar a religião. Considero a fé das pessoas, independente da religião, algo sério demais para zombaria ou brincadeiras.
No Brasil, no entanto, algumas denominações banalizaram e transformaram em negócios ou trampolim para arranjos políticos.
Nas últimas décadas, algumas igrejas ganharam projeção econômica, política e poder midiático alimentadas por fiéis em busca de tábuas de salvação diante de crises econômicas e existenciais.
Em meio a fragilidade de uma população desassistida e descrente nas instituições, emergiram picaretas travestidos de pastores que amealharam dinheiro vendendo esperança aos fieis. A interpretação distorcida da bíblia leva milhares de pessoas a acreditarem que comprando bênçãos por meio de dízimos e doações, conseguirão prosperidade terrena.
Pessoas de boa fé são levadas por esses discursos. Seguem esses vendedores de ilusões ainda que à custa de sacrifícios, como ignorar a pandemia do Coronavírus, quebrando o isolamento social, para manter a renda familiar, separando o respectivo percentual do dízimo, é claro.
Há um lado verdadeiro na crença. Existem quem até conseguiu melhorar de vida, em virtude da própria mudança de hábito ao se inserir neste meio social. Quem abandona o fumo e a bebida, por exemplo, consegue economia no orçamento. O próprio hábito protestante é um estímulo a poupança, como defendeu Max Weber em “A ética protestante e o espírito do capitalismo”.
Dependentes químicos, por exemplo, encontram nesses círculos estímulos para abandonar o vício. Ainda que mantenham valores deformados, mudam algumas práticas, o que já é positivo.
É entre essas pessoas de boa fé, algumas sem rumo, que líderes religiosos, como Silas Malafaia, bispo Edir Macedo, Valdomiro Santiago e R.R. Soares e outros similares sobrevivem com os negócios da religião.
A única busca neste ramo, por parte dos líderes, é o dinheiro, o vil metal, enquanto que os seguidores querem esperança.
Não há neste núcleo religioso nenhum ensinamento bíblico. Personificam muito mais um Deus da chibata do que um redentor.
Se baseiam, unicamente, na teologia da prosperidade, dando ênfase ao fiel que paga pela graça divina em troca de esperança e prosperidade na terra.
Esta relação de fé, dinheiro e promessa explica a campanha desesperada de Silas Malafaia para sabotar o isolamento social. O dizimista dentro de casa, sem renda, representa queda de arrecadação nos templos.
A igreja de Malafaia já vinha enfrentando queda no faturamento por conta da disputa no segmento, afinal, igreja tocada como negócio tem concorrência comercial.
As retóricas de Malafaia demonstram que não existe crença no discurso do pastor. Apenas segue a linha tudo por dinheiro, ainda que tenha que perder ovelhas para o Coronavírus.








