Os órgãos de controle externo do Noroeste Fluminense precisam explicar as razões de tanta letargia para examinar o que acontece no Hospital Moacyr Gomes de Azevedo, em Cambuci. A unidade já foi uma referência do Sistema Único de Saúde e hoje atravessa uma crise sem precedentes, com leitos desativados, funcionários demitidos e equipamentos sucateados.
Na última sexta-feira (15/05), entre outras irregularidades, uma inspeção do Ministério Público Federal flagrou dois mil medicamentos com validade vencida na farmácia da unidade. Dois funcionários e o secretário de Saúde – o ex-prefeito Agnaldo Perez Mello -, foram conduzidos à Delegacia de São Sebastião do Alto para prestar depoimento.
O abandono e o menosprezo a saúde pública é flagrante nesta cidade. A responsabilidade pelo descalabro é toda da prefeitura, que interviu nesta unidade que era administrada por uma entidade da sociedade civil organizada, a Associação Hospitalar de Cambuci, e meteu os pés pelas mãos, transformando um hospital público e filantrópico em abrigo para afilhados políticos.
A administração foi entregue ao ex-prefeito Agnaldo Perez Mello, secretário de Saúde e pai do atual prefeito Agnaldo Mello. O secretário está inelegível, segundo consta, por condenação em processo por apropriação indébita. Contudo, está nomeado para uma função pública sem o menor pudor. Aliás, pudor na prefeitura de Cambuci soa como palavrão.
Em meio a tantas mazelas, o judiciário local ainda não julgou um mandado de segurança sobre a intervenção que está falindo o Hospital. Já se passaram 12 meses desde que os advogados da Associação Hospitalar protocolaram o processo.
Enquanto isso, a unidade vai fechando as portas e os pacientes são transportados para hospitais de outras cidades, sobrecarregando o atendimento. É um quadro dramático e quem sofre é a população pobre, que precisa do hospital público.
Até quando isso vai persistir? Talvez, até o dia em que as mortes decorrentes desta mazela ganhar os noticiários e mobilizar a opinião pública. No Brasil é assim. Só enxergam que a casa está sendo destruída depois que a porta está arrombada.








