Com cidadania alemã e indícios de possuir bilhões no exterior, eventual fuga vai expor o Brasil como país que abrigou ladrão do trem pagador e deixou o empresário corrupto escapar
Diz o dito popular: “quem não tem dinheiro conta história”. Eike Batista é o típico contador de histórias que ganhou dinheiro. E como todo sujeito bom de lábia, sempre andou bem vestido, perfumado, desfilando em carros de luxo, em companhia de belas mulheres e seduzindo autoridades, assim como inebriava as damas com pagamentos de propina ou convites para jantares.
Foi desta forma que ergueu o seu império X, um pool de empresas que ganhou projeção mundial. Notas e matérias plantadas na imprensa abriram as portas do poder. A relação íntima com políticos também lhe abriram os cofres para financiamentos oficiais. No BNDES ele deitou e rolou. Foi deste banco de fomento que tirou boa parte do dinheiro para construir o porto do Açu, em São João da Barra. Recebeu uma quantia estimada em R$ 6 bilhões.
NA IMAGEM ACIMA Eike Batista e Júlio Lopes (PP), deputado Federal e ex-secretário de Transportes do governo Sérgio Cabral: dinheiro e poder sempre criaram laços fortes
Há indícios de que o empresário aproveitou-se também de dinheiro do Fundo da Marinha Mercante, fonte de custeio que só poderia financiar construção de navios ou estaleiros. É linha de financiamento com uma das menores taxas de juros do país. O empresário tomou dinheiro com este para montar o estaleiro da OSX no que seria complexo industrial do Açu, mas teria desviado a finalidade para aplicar nas obras do porto. Ofereceu como garantia ações de sua petroleira mesmo sabendo que a empresa não tinha petróleo para explorar. As investigações da Lava Jato deve relevar o mapa desta odisseia criminosa.
Entre as inúmeras histórias contadas por Eike está a informação de que era formado em engenharia metalúrgica por uma universidade alemã. Mentira que para muitos virou verdade, inclusive para setores da imprensa domesticada com reportagens compradas. Vendeu bem a imagem de Midas, personagem da mitologia grega que transformava tudo que tocava em ouro.
Ninguém pode negar um traço de sua personalidade: era destemido. Uma rápida observação no histórico do empresário é o suficiente para revelar que poder e dinheiro deram-lhe coragem a ponto de desafiar o azar a ponto de levar suas aventuras no mundo do negócio às últimas consequências. Mentiu para as autoridades brasileiras assim como enganou o mercado financeiro.
Com mandado de prisão expedido pela justiça brasileira, país de onde saiu providencialmente na última terça-feira (23/01) com destino a Nova Iorque, o empresário é um forte candidato a ser abrigado em uma cela comum no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, onde já está preso o seu amigo, o ex-governador Sérgio Cabral Filho.
A dúvida é se Eike será alcançado a esta altura do campeonato. Com cidadania alemã, este país será o seu destino mais provável, caso consiga passar pelo cerco da Interpol.
Se chegar a Alemanha, dificilmente será deportado. O empresário, segundo fontes, tem uma fortuna estimada em bilhões no exterior. Parte deste dinheiro saiu do Brasil com destino a uma empresa off shore sediada em Hong Kong.
O lobo do Jardim Botânico (uma referência ao filme o Lobo de Wall Street, estrelado por Leonardo Di Cáprio), terá musculatura financeira suficiente para viver com comodidade neste mundo sacudido por uma crise econômica que só encontra precedentes em 1929.
Se conseguir escapar, bom para Eike, para seus comparsas, que estarão livres de uma delação premiada. Mas será péssimo para o Brasil, que já acolheu por aqui e não deportou para a Inglaterra Ronald Biggs, o lendário assaltante do Trem Pagador inglês. Nesta hipótese, o Brasil que acolheu Biggs deixará escapar Eike Batista.
O Midas sabia onde estava pisando. O Brasil é um país crédulo demais. Aqui não se duvida de boas aparências. Dinheiro e poder coloca qualquer um acima de qualquer suspeita. Eike Batista descobriu e mergulhou de cabeça.








