O pleito de 2016 será atípico, com dinheiro escasso e pouca perspectiva para a parcela que vota turbinada pelo fisiologismo |
Não existe almoço grátis em política. Assim como não existe paixão incondicional por líderes partidários. Político em ano de eleição quer votos e eleitor vota por dinheiro ou perspectivas de poder. O nicho dos que votam por crença ou ideologia é segmentado. Produz efeito prático em eleições legislativas ou como fiel de balança em pleitos muito disputados para cargos executivos.
Numa eleição atípica, com pouco dinheiro e com curto espaço de tempo, como será o pleito deste ano para escolha de prefeitos e vereadores, é previsível que haja um aumento exponencial no índice de votos brancos, nulos e abstenções. Candidatos terão pouco tempo para contar história e eleitores pouca margem de manobra para negociar voto. Outro fator complicador: a justiça estará atenta para coibir a movimentação de dinheiro.
Dinheiro também não estará tão farto. As prefeituras enfrentam queda de arrecadação, portanto, com obras paralisadas, empreiteiro fica descapitalizado para abastecer as campanhas por meio de caixa 2, já que este ano as contribuições de pessoas jurídicas estão proibidas por lei.
O Norte Fluminense, no Estado do Rio, talvez seja uma das regiões do sudeste em que o voto seja mais inflacionado. A corrupção eleitoral criou vícios graças a convivência entre políticos corruptores e eleitores corruptos. Um não vive sem o outro.
O que se vislumbra é uma eleição imprevisível na maior parte das cidades. Em todas as pesquisas divulgadas até o momento, o índice de eleitores indecisos é algo assustador. Supera todas as eleições passadas. É um indicativo que a parcela de candidatos com baixo índice de conhecimento junto ao eleitorado poderá surpreender. O jogo começa a partir de julho, após as convenções partidárias. É quando entrarão em cena os verdadeiros atores.








