Ação de criminosos contra carro-forte em supermercado de Rio das Ostras demonstra que a criminalidade migrou para o interior encontrando um terreno fértil e vulnerável diante das carências na área de segurança pública |
O crescimento no índice de violência nas cidades do interior é um fenômeno contra o qual as autoridades na área de segurança pública ainda não trataram com a devida urgência que o tema exige.
Cidades como Macaé, Rio das Ostras e Cabo Frio, se transformaram em refúgios para traficantes que tentam se distanciar das perseguições nos grandes centros, de forma que já se faz notória a presença de representantes de facções criminosas, como Comando Vermelho e Amigos dos Amigos, nessas regiões.
A criminalidade se descentralizou, adotando os métodos de uma empresa. Estabeleceu divisões hierárquicas, criou funções diferenciadas dentro dos bandos e assumiu uma postura audaciosa diante da fragilidade do Estado. Não hesita em desafiar a ordem pública, tenta manter um poder paralelo e adota, em sua conduta, a condenação sumária, com pena de morte, para os que ousam desafiar sua autoridade ou se corromper contra as normas internas.
Nesses tempos de crise econômica, esse “Estado” paralelo encontra terreno fértil, conquista simpatias com filantropia ante ao governo ausente, serve como opção de renda para jovens desesperançados e encontra acolhida em comunidades excluídas dos serviços públicos. Os governos precisam reencontrar o seu papel, firmar a autoridade e reestabelecer a ordem pública, do contrário, a sociedade deixará de clamar pelas autoridades legalmente constituídas para apelar ao dono da boca de fumo. Será o fim dos tempos.









