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A morte de Moisés e do Messias

João Vicente Por João Vicente
15/12/2018 - 20:21 - atualizado em 17/12/2018 - 16:28
em Opinião
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Ilustração de Moisés

Foto: Ilustração

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As condições em que o libertador e o redentor do povo judeu morreram são fatores primordiais para a história do cristianismo; Leia mais:

Schiller (1759-1805), poeta e filósofo alemão, em seu poema “Os Deuses da Grécia”, nos dois últimos versos, diz o que considera ser o  sentido último da vida, a partir de uma expressão artística, a música, o canto que, para ser analogia com a imortalidade, a vida deverá ser o túmulo insondável, metamorfose da vida – O que permanece imortal, no canto, tem que perecer na vida.

Teologicamente, na transversalidade com a psicanálise, os versos de Schiller são trazidos para o campo da religião, já que a gênese do monoteísmo e o ambiente de espiritualidade na cultura ocidental se dão a conta de dois emblemáticos acontecimentos, muito significativos para a tradição judaico-cristã.

As situações diante das quais somos colocados pelo movimento contínuo, retilíneo ou circular, da existência,  nos encoraja a olhar de frente, tanto a vida, com todas as suas intrincadas dificuldades, como a morte, sugestão de inúmeros parâmetros que nos orientam, mas que anulados por dogmas e pensamentos construídos que nos levam ao medo e terror ou à espera de uma eternidade preguiçosa ou laboriosa.

O judaísmo nos mostrou mais que um Deus único, um Deus onipotente, onipresente, onisciente frente a quem os Hebreus tinham que reconhecê-lo com esses seus atributos e suas variantes de um Deus ciumento, de um Deus territorialista e não universal, um Deus que não se mostraria, e que sequer poderia ser nomeado.

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A GRANDE FAÇANHA DO PROFETA MOISÉS

O Deus invisível, sem rosto e sem nome. O protagonista, principalmente do Êxodo – a saída do povo hebreu da escravidão do Egito, rumo à Terra Prometida, a Canaã – grande façanha do profeta Moisés.

Seu grande feito, que é marco da inauguração da construção da identidade de um povo, rebelde e contestador por natureza, carente de um horizonte de pátria, terra cultivável, de uma religião organizada e hierarquizada. Uma sociedade organizada com suas leis e ordenamentos, consolidando o ideal do monoteísmo, conceito herdado e assimilado por Moisés, uma construção do  Faraó Aquenáton (r. 1352-1338 a.C.), o faraó revolucionário que reinou antes do tempo de Moisés, levando tal conceito ao povo hebreu.

De acordo com a Bíblia e a tradição judaico-cristã, Moisés realizou diversos milagres após uma Teofania. Depois guiou o seu povo através de um êxodo pelo deserto, durante quarenta anos, que se iniciou através da famosa passagem em que Moisés abre o Mar Vermelho, para possibilitar a travessia segura dos filhos de Israel. Ainda segundo a Bíblia, recebeu no alto do Monte Sinai as Tábuas da Lei de Deus, contendo os Dez Mandamentos.

Logo no início da jornada, no Monte de Horebe, na Península do Sinai, Moisés recebeu as Tábuas dos Dez Mandamentos do Deus de Abraão, escritos “pelo dedo de Deus”. As tábuas eram guardadas na Arca do Concerto. Depois, o código de leis é ampliado para cerca de seiscentas leis. É comumente chamado de Lei Mosaica. Os judeus, porém, a consideram como a Lei (em hebr. Toráh) de Deus dada a Israel por intermédio de Moisés. Em seguida, os israelitas vaguearam pelo deserto durante quarenta anos até chegarem a Canaã.

O MARCO NA VIDA DO PROFETA E LÍDER RELIGIOSO

Ter libertado o povo de Israel da escravidão, no Antigo Egito, rumo à Terra Prometida, a Canaã, é considerado um dos mais importantes feitos desse líder religioso, um grande feito, consagrado como o marco da inauguração da construção da identidade de um povo.

Moisés foi, assim, o instrumento humano na criação da nação de Israel, até então, rebelde e contestador por natureza, carente de um horizonte de pátria, terra cultivável, de uma religião organizada e hierarquizada, organizada em torno de suas leis e ordenamentos, consolidando o ideal do monoteísmo.  –  instituiu a Páscoa Judaica.

De acordo com os relatos bíblicos em Deuteronômio 32:51-52 e Números 20:12, Moisés foi avisado por Deus de que não lhe seria permitido levar os israelitas através do rio Jordão, por causa da sua transgressão nas águas de Meribá, e que morreria no Monte Nebo, de onde contemplaria toda a terra de Canaã. Desta forma, ele reuniu as tribos e entregou a eles uma mensagem de despedida, que é usada para formar o livro de Deuteronômio.

Quando Moisés terminou, entoou um cântico e pronunciou uma bênção sobre o povo. Subiu ao monte Nebo, para o cume de Pisga, olhou para a Terra prometida de Israel espalhada diante dele, e morreu, segundo a lenda talmúdica, em 7 de Adar, exatamente no seu aniversário dos 120 anos. O próprio Deus o sepultou em um túmulo desconhecido, em um vale na terra de Moabe, defronte de Baal-Peor (Deuteronômio 34:6).

Os versos do poeta, filósofo Friedrich Schiller são usados para coroar o sentido de transcendência/espiritualidade dos líderes Moisés e Cristo que, se não tivessem morrido nas condições em que morreram, na Terra, seu exemplo de espiritualide não se ergueria jamais e suas vidas e suas missões teriam sido inúteis.

Tags: #A Morte de Moisés#Profeta
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