Açodamento, partidarismo editorial e linchamento de pessoas públicas marcam o noticiário sobre a Lava-Jato |
Os chutes e insinuações diante de uma recente listagem da Odebrechet, apreendida pela Polícia Federal, com nomes de políticos beneficiários de doações de campanha e propina, reacende a necessidade da sociedade debater a responsabilidade dos veículos de comunicação na cobertura da Operação Lava-Jato. Sem separar o joio do trigo – o que foi doação legítima declarada à justiça eleitoral, situação que era permitida por lei, e propina, que é dinheiro sujo –, foram misturadas no festival de barrigadas editoriais, acusações contra políticos em ano eleitoral, quando nem mesmo a justiça conseguiu fazer distinção entre o que era legal e ilegal. O que deveria ser notícia virou linchamento.
A esperteza de Moro
Em Curitiba, o próprio juiz Sérgio Moro, que coordena a Operação Lava-Jato, ficou com medo de chorar na cova errada e despachou a lista da Odebrecht para o Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. Portanto, nem existe inquérito ou processo envolvendo nomes de muitos dos políticos que constam na lista.
Afobação e exagero
Setores da imprensa, de forma açodada, passaram a divulgar a lista como prova de crime ou participação de citados no escândalo da Lava-Jato. O comportamento não foi razoável em obediência as lições primárias do bom jornalismo: apurar exaustivamente a informação, checar as fontes, obter documentos comprobatórios e ouvir as partes envolvidas assegurando o amplo contraditório.
Ações judiciais
É previsível que uma enxurrada de processos com pedido de indenizações por danos morais comecem a chegar aos tribunais. O primeiro a anunciar esta decisão foi o ex-governador Anthony Garotinho, durante entrevista ao programa “Entrevista Coletiva”, na rádio Diário FM, na cidade de Campos-RJ, no último sábado (02/04). Garotinho diz que recebeu doação de campanha da Odebrecht na última eleição, mas assegura que tudo está devidamente declarado à Justiça Eleitoral.
Rosinha e Dr. Aluízio
A prefeita Rosinha Garotinho, que foi citada em algumas reportagens com o mesmo cunho que considera ofensivo, também vai propor ação com pedido de reparação de danos. O mesmo, segundo consta, será feito pelo prefeito de Macaé, Dr. Aluízio (PMDB), citado em algumas reportagens. A Justiça tem sido célere nos chamados crimes de opinião. Diante de reportagens que não conseguem apresentar elementos de convicção para respaldar fatos noticiados, as indenizações arbitradas têm sido vultosas, penalizando consideravelmente o caixa de algumas empresas de comunicação nesses tempos de retração no mercado publicitário. Além de um amplo debate sobre a responsabilidade na divulgação de conteúdo, a imprensa também precisa reencontrar o seu papel no mercado, reforçando a busca pela qualidade, apostando no bom jornalismo, primando pela capacidade de seus profissionais e fugindo a banalização do conteúdo.








