A Venezuela busca recuperar sua capacidade de produção de energia e ampliar a participação de empresas internacionais em sua indústria petrolífera. A presidente interina, Delcy Rodríguez, afirma que novos contratos devem atrair investimentos, modernizar instalações e fortalecer segmentos como a produção de gás natural e a indústria petroquímica.
Segundo informações divulgadas em outubro, o governo venezuelano contabiliza 61 acordos relacionados à expansão do setor energético e prevê quase US$ 76 bilhões em investimentos nos próximos cinco anos. A estratégia ocorre em meio à reaproximação com os Estados Unidos e às mudanças nas regras de participação de empresas estrangeiras na exploração de hidrocarbonetos.
Durante um encontro com trabalhadores da indústria petrolífera, Rodríguez destacou a importância da atuação dos profissionais na recuperação das operações. Segundo ela, a expansão da produção depende tanto dos novos contratos quanto das soluções desenvolvidas pelos próprios funcionários para manter a atividade mesmo diante das dificuldades operacionais.
Governo busca ampliar a produção de petróleo e gás
A administração venezuelana pretende diversificar as atividades do setor energético, ampliando a produção de gás natural e desenvolvendo a indústria petroquímica. A proposta é aumentar o aproveitamento dos recursos naturais e gerar novas fontes de receita para a economia do país.
Rodríguez também reconheceu o papel dos trabalhadores na retomada da produção petrolífera. Em declarações anteriores, a dirigente informou que a extração de petróleo bruto havia alcançado cerca de 1,2 milhão de barris por dia em dezembro de 2025.
Entre as medidas previstas estão a chegada de equipamentos e insumos necessários à atividade, como plataformas de perfuração, tubos, produtos químicos e bombas. A expectativa é que esses recursos ajudem a ampliar a capacidade operacional, especialmente nas regiões produtoras do oeste venezuelano.
Acordo com os Estados Unidos prevê exploração de campos petrolíferos
A aproximação entre Caracas e Washington representa uma das principais frentes da estratégia de recuperação do setor. O acordo energético anunciado em agosto prevê o desenvolvimento de 17 campos petrolíferos estratégicos, com duração de 25 anos e metas de expansão da produção.
De acordo com declarações de Rodríguez, o entendimento poderá gerar aproximadamente US$ 209,335 bilhões em receitas para o Estado venezuelano, considerando o preço de referência de US$ 65 por barril. A estimativa depende, portanto, das condições de produção e comercialização do petróleo ao longo do contrato.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou o acordo como um marco para o setor energético norte-americano. A Casa Branca afirma que o entendimento envolve direitos sobre reservas estimadas em mais de 65 bilhões de barris nos campos abrangidos pelo projeto. Esse volume não corresponde à totalidade das reservas venezuelanas, estimadas oficialmente em cerca de 300 bilhões de barris.
A iniciativa também prevê investimentos privados para recuperar a infraestrutura petrolífera, ampliar a extração e facilitar o fornecimento de petróleo ao mercado internacional.
Chevron, Eni e General Electric participam de novos contratos
Em setembro, durante uma visita do secretário de Energia dos Estados Unidos, Christopher Wright, a Caracas, foram formalizados acordos envolvendo a Chevron, a italiana Eni e a General Electric Vernova.
Os entendimentos incluem mudanças nas condições operacionais de empreendimentos conjuntos da Chevron com a estatal venezuelana PDVSA, um contrato de participação na produção do campo Junín 5 com a Eni e iniciativas para modernizar a infraestrutura elétrica ligada ao setor energético.
A Chevron anunciou planos de investir mais de US$ 7 bilhões nos cinco anos seguintes, com a meta de ampliar sua produção na Venezuela. Já o acordo com a Eni prevê o desenvolvimento de um campo petrolífero estratégico, enquanto a General Electric Vernova participará de projetos relacionados à recuperação e à expansão da rede elétrica.
Rodríguez sustenta que a abertura a novos investimentos pode acelerar a recuperação da indústria e ampliar as receitas públicas. O resultado, porém, dependerá da execução dos contratos, da disponibilidade de equipamentos e tecnologia e da capacidade de superar os problemas de infraestrutura que afetam a produção venezuelana.
*Da Agência Fonte Exclusiva








