País suspendeu a pena capital em 2004, antes de ingressar como membro da União Europeia |
Da Reuters
ISTAMBUL – O presidente turco, Tayyip Erdogan, afirmou nesta segunda-feira (18/07) que cabe ao Parlamento do país decidir se restabelece a pena de morte, mas se assim for definido ele tornaria lei essa medida, informou a rede de TV CNN.
A Turquia suspendeu a pena capital em 2004 como parte de iniciativas para poder entrar na União Europeia, mas os apelos para que seja restabelecida aumentaram depois de uma tentativa fracassada de golpe militar na sexta-feira, que deixou um saldo de mais de 200 mortos.
“Caberá ao Parlamento tomar uma decisão. Como presidente aprovarei qualquer decisão que sair do Parlamento”, disse Erdogan em entrevista à rede CNN, segundo versão traduzida pela TV da declaração do presidente.
TENTATIVA DE GOLPE
Um homem que vestia uniforme militar foi morto pela polícia turca depois que abriu fogo diante do tribunal de Ancara nesta segunda-feira (18/07), três dias depois que o governo de Recep Tayyip Erdogan repeliu uma tentativa de golpe de Estado do Exército.
O incidente ocorreu no tribunal, no momento em que 27 generais e almirantes detidos pelo golpe prestavam depoimento, entre eles Akin Ozturk, considerado um dos principais estrategistas da tentativa de assumir o poder. Ele foi comandante da Força Aérea turca de 2013 a 2015 e é próximo do clérigo islâmico Fethullah Gullen, que vive em exílio nos Estados Unidos e teria ajudado a articular o golpe.
De acordo com a imprensa turca, os 27 oficiais detidos representam quase um terço dos generais do país. Além deles, o governo de Erdogan suspendeu o mandato de 30 prefeitos, do total de 81. Também hoje o primeiro-ministro da Turquia, Binali Yildirim, informou que subiu para 313 o número de mortos e para 1.491 o de feridos nos combates relacionados à tentativa de golpe.
Destas vítimas, 146 eram civis, 60 atuam como policiais, três eram soldados e 104 faziam parte dos militares golpistas. Já as pessoas presas por ligação com a tentativa de golpe são 7.543, sendo 6.030 militares.
Uma ala do Exército turco que seria próxima a Gullen tentou assumir o poder na noite de sexta-feira, na Turquia, colocando tanques na rua e caças F-16 sobrevoando as principais cidades do país. Mesmo com sua popularidade baixa, Erdogan conseguiu reverter a situação depois de cinco horas. Parte da população que o apoia também lutou contra os militares.








