Uma afirmação feita pelo ex-presidente dos EUA Donald Trump reacendeu um debate delicado na saúde pública. Ao lado do crítico de vacinas Robert F. Kennedy Jr., Trump declarou que o acetaminofeno (paracetamol), conhecido pela marca Tylenol, pode estar associado a um risco elevado de autismo quando usado na gravidez. A declaração, feita sem apresentar evidências sólidas, foi rapidamente contestada pela comunidade médica e científica.
A fabricante do Tylenol, Kenvue, emitiu nota afirmando que “a ciência independente e sólida” não confirma essa ligação e alertou para os riscos de tais informações sem base, que podem levar gestantes a evitar um medicamento necessário e seguro, potencialmente causando mais malefícios do que benefícios.
O consenso científico atual
Diante da polêmica, entidades globais de saúde se manifestaram para esclarecer a população. A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu cautela, destacando que uma relação causal consistente teria sido observada em múltiplos estudos, o que não é o caso. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) manteve sua posição: o paracetamol pode e deve ser usado durante a gestação se clinicamente necessário, sempre na menor dose eficaz e pelo menor tempo possível.
O epidemiologista Eric Feigl-Ding citou um grande estudo com 2,5 milhões de crianças que não encontrou aumento no risco de autismo associado ao uso do medicamento pelas mães durante a gravidez.
E os estudos que levantam dúvidas?
É verdade que, após décadas sendo considerado totalmente seguro, algumas pesquisas recentes começaram a investigar possíveis associações. Uma revisão de estudos publicada na “Paediatric and Perinatal Epidemiology” sugeriu uma ligação sutil com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), mas não com o autismo de forma conclusiva.
No entanto, a comunidade científica ressalta que esses estudos são observacionais e não podem provar causa e efeito. Fatores não medidos podem influenciar os resultados. Por isso, as agências reguladoras mantêm a recomendação de uso responsável, enfatizando que os benefícios do paracetamol para controlar a febre e a dor – condições que podem ser prejudiciais ao feto – superam amplamente os riscos não comprovados. A orientação para as gestantes permanece a mesma: sempre consultar um médico antes de usar qualquer medicamento.
Da Agência Fonte Exclusiva.








