Uma tendência que vem chamando a atenção de adolescentes nas redes sociais também acendeu um alerta entre especialistas em segurança digital. Conhecida como “farmar aura”, a brincadeira envolve vídeos em que participantes exibem carisma, estilo e confiança, mas pode acabar revelando mais informações pessoais do que os próprios autores imaginam.
O alerta foi feito pela Kaspersky. Segundo a empresa de segurança digital, conteúdos que alcançam grande audiência podem facilitar a identificação dos participantes e permitir que desconhecidos cruzem informações disponíveis em diferentes redes sociais.
Vídeos podem entregar detalhes da rotina
O termo “farmar” surgiu no universo dos videogames e é usado para indicar a repetição de determinadas atividades para acumular recursos, itens ou pontos.
Nas redes sociais, a expressão ganhou outro significado e passou a ser relacionada à construção de uma imagem de confiança, popularidade ou carisma por meio de vídeos e performances.
O problema, segundo a Kaspersky, está no volume de informações que pode aparecer junto com essas gravações. Um vídeo aparentemente inocente pode mostrar locais frequentados, uniforme escolar, amigos, hábitos e outros detalhes capazes de ajudar na identificação do adolescente.
Quando essas informações são combinadas com dados encontrados em outras plataformas, terceiros podem descobrir detalhes sobre escola, residência, hobbies e rotina.
Esse tipo de exposição pode facilitar golpes, tentativas de roubo de identidade e abordagens baseadas em engenharia social.
“Batalhas de aura” também aparecem nas ruas
A tendência não está restrita ao ambiente virtual. Segundo o jornal mexicano Excélsior, adolescentes também têm participado das chamadas “batalhas de aura” em locais públicos.
Nessas situações, os participantes fazem poses, dançam ou realizam pequenas apresentações diante de outras pessoas, que registram tudo em vídeo. As gravações posteriormente chegam às redes sociais e podem alcançar um público muito maior do que o grupo que estava presente no momento.
Com a viralização, aumenta também a dificuldade de controlar onde as imagens serão compartilhadas e quem terá acesso a elas.
Viralização pode aumentar riscos
Judith Tapia, gerente de produtos para consumidores da Kaspersky no México, afirmou que tendências nas redes podem desaparecer rapidamente, mas as informações expostas durante o período de popularidade continuam disponíveis.
No caso de crianças e adolescentes, a preocupação é ainda maior. Dados públicos sobre rotina e relações pessoais podem ser usados para criar abordagens falsas mais convincentes ou espalhar informações enganosas sobre a vítima.
Por isso, a recomendação é observar cuidadosamente o que aparece nos vídeos antes da publicação. Locais frequentados, nomes de escolas, horários, uniformes, placas, documentos e outros elementos do cotidiano podem fornecer pistas sobre a identidade e a rotina de uma pessoa.
A exposição pode parecer pequena quando cada informação é analisada isoladamente, mas a combinação desses dados pode formar um perfil detalhado do usuário.
*Da Agência Fonte Exclusiva








