Uma tentativa de entrada irregular em massa na cidade espanhola de Ceuta, no norte da África, provocou uma grande operação de segurança nesta quinta-feira (30). Pelo menos 18 pessoas morreram durante a movimentação, segundo informações de fontes policiais divulgadas pela imprensa espanhola.
As vítimas foram encontradas pelas forças de segurança após grupos de pessoas tentarem chegar ao território espanhol pelo mar. Registros compartilhados nas redes sociais mostram diversos indivíduos realizando a travessia com boias e outros objetos usados como apoio.
O episódio aconteceu na região de El Tarajal, onde agentes mantinham uma barreira para impedir a entrada irregular. Conforme informações da imprensa espanhola, parte dos migrantes conseguiu superar o bloqueio e alcançar Ceuta, cidade autônoma espanhola situada no litoral norte-africano.
A dimensão da tentativa de entrada exigiu uma resposta ampliada das autoridades. A Guarda Civil chegou a estimar que até 40 mil pessoas poderiam estar envolvidas na movimentação, mas o número ainda não foi oficialmente confirmado. O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, deverá visitar a região nesta sexta-feira (31) para acompanhar a situação.
Exército reforça operação na fronteira
Diante da concentração de pessoas na área fronteiriça, a Guarda Civil solicitou apoio adicional. O governo espanhol autorizou a participação das Forças Armadas para auxiliar no controle da situação e reforçar o trabalho dos agentes de segurança.
Apesar da gravidade do episódio, o governo central não aceitou, até o momento, o pedido do presidente de Ceuta, Juan Jesús Vivas, para decretar estado de emergência nacional.
A crise também provocou repercussões no cenário político espanhol. Integrantes da oposição relacionaram a tentativa de entrada irregular à política de regularização migratória aprovada recentemente pelo governo de Pedro Sánchez.
O governo, porém, rejeitou a relação. Segundo fontes oficiais citadas pela RTVE, a regularização exige requisitos específicos, como a comprovação de residência na Espanha antes de 1º de janeiro de 2026 e a permanência contínua no país durante cinco meses no momento do pedido. Assim, pessoas que chegaram recentemente pela fronteira não atenderiam às condições estabelecidas.
União Europeia oferece apoio
A situação também chamou a atenção de autoridades europeias. A Frontex, agência da União Europeia responsável pela cooperação no controle das fronteiras externas do bloco, ofereceu apoio ao governo espanhol.
Na Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni voltou a defender medidas rigorosas contra a imigração irregular. A chefe do governo italiano citou ações relacionadas ao controle das fronteiras, ao combate às redes de tráfico de pessoas e à repatriação de migrantes.
O episódio também recebeu manifestações dos Estados Unidos. Uma representante da Casa Branca criticou políticas migratórias que, segundo ela, incentivariam a migração em massa e defendeu mudanças nas estratégias adotadas por países europeus.
Melilla também reforça segurança
A tensão se estendeu a Melilla, outro território espanhol localizado no norte da África. As autoridades determinaram o fechamento do posto de Beni Enzar, principal passagem terrestre entre a cidade autônoma e o Marrocos.
O presidente de Melilla, Juan José Imbroda, afirmou que cerca de 400 pessoas teriam conseguido entrar no território espanhol. Vídeos registraram uma grande concentração de pessoas nas proximidades da fronteira enquanto agentes de segurança tentavam controlar a situação.
Também foram registrados incidentes no lado marroquino. Imagens divulgadas pelas redes sociais mostraram um incêndio na região, que, segundo informações da imprensa local, teria ocorrido após veículos serem incendiados.
Na área de Ceuta, as forças marroquinas utilizaram gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar grupos reunidos próximo à fronteira, segundo informações divulgadas pela agência EFE.
Espanha e Marrocos discutem repatriações
Com o agravamento da situação, autoridades da Espanha e do Marrocos concordaram em acelerar medidas para a repatriação de cidadãos marroquinos que tenham entrado irregularmente em Ceuta nos últimos dias.
A ocorrência volta a colocar a questão migratória no centro das discussões europeias, envolvendo temas como segurança nas fronteiras, proteção de migrantes, combate ao tráfico de pessoas e políticas de retorno.
As autoridades ainda trabalham na consolidação dos números oficiais relacionados à tentativa de entrada em massa. Enquanto isso, as forças de segurança permanecem mobilizadas em Ceuta e Melilla para controlar a situação e evitar novas incursões.
*Da Agência Fonte Exclusiva








