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Tarifaço de Trump passa a vigorar contra cerca de 180 países

Taxas globais de 10% anunciadas pelo presidente dos EUA começaram a valer, oficializando uma medida que ameaça perturbar ainda mais os mercados internacionais.

redacao Por redacao
05/04/2025 - 09:06
em Mundo
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Donald Trump determinou tarifa de 100% sobre medicamentos de marca importados a partir de 1º de outubro, salvo para companhias que estejam construindo fábricas em território americano.

(Getty Images)

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As tarifas globais de 10% anunciadas nesta semana pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entraram em vigor neste sábado (05/04), oficializando uma medida que ameaça perturbar ainda mais os mercados internacionais.

Na quarta-feira passada, dia que batizou de “Dia da Libertação”, Trump anunciou uma tarifa mínima de 10% sobre 184 países e territórios, além da União Europeia (UE), e em alguns casos aumentou as taxas.

No caso do Brasil, a alíquota foi mantida em 10%, mas chegou a ser incrementada em até 20% para produtos da UE ou até 54% para as exportações chinesas que chegam ao mercado americano.

Essa escalada tarifária adicional, aplicada apenas a alguns parceiros comerciais de Washington, entrará em vigor na próxima quarta-feira.

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O que entra em vigor agora é a tarifa global de 10% que afeta todos os produtos que os Estados Unidos importam de outras nações.

No entanto, produtos já carregados em um navio e em trânsito para os Estados Unidos antes das 00h01 deste sábado estão isentos da tarifa de 10%, de acordo com a ordem executiva assinada por Trump na quarta-feira. Essas mercadorias devem chegar aos EUA até 27 de maio para evitar taxas alfandegárias.

Essa exceção impede que mercadorias já a caminho dos Estados Unidos sejam afetadas pela mudança na alfândega.

A tarifa alfandegária é adicional aos impostos existentes, mas alguns produtos estão isentos, como petróleo, gás, cobre, ouro, prata, platina, paládio, madeira serrada, semicondutores, produtos farmacêuticos e minerais não encontrados em solo americano.

As importações de aço, alumínio e automóveis também não são afetadas, mas porque já estão sujeitas a sobretaxas de 25%.

O Canadá e o México, parceiros dos EUA no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), estão sob um regime diferente: 25% sobre produtos fora do acordo (exceto 10% sobre hidrocarbonetos canadenses).

Escalada adicional

Na próxima quarta-feira (09/04), a guerra comercial declarada pelo republicano se intensifica, quando passam a valer impostos mais altos para outros países, incluindo aqueles que exportam mais do que importam.

Serão +54% no total para a China (somando várias tarifas), +20% para a União Europeia (UE), +46% para o Vietnã, +24% para o Japão, +15% para a Venezuela, +18% para a Nicarágua.

As Ilhas Malvinas terão tarifa de 41%. A Argentina e o Reino Unido reivindicam a soberania sobre esse arquipélago, chamado de Ilhas Falkland pelos britânicos.

A lista de Trump afeta cerca de 180 países e territórios, incluindo os 27 países do bloco europeu, de acordo com um documento oficial publicado na sexta-feira pelo governo dos EUA.

O número de países mais duramente punidos foi reduzido: não inclui mais as ilhas francesas de St Pierre e Miquelon (no Atlântico) ou os territórios australianos das ilhas Heard e McDonald, na região subantártica, habitados apenas por colônias de pinguins.

Sua presença causou estranhamento e deu origem a todos os tipos de memes sobre esses animais nas mídias sociais.

Reação chinesa

A China já reagiu na sexta-feira com o anúncio de tarifas alfandegárias adicionais de 34% sobre os produtos dos EUA a partir de 10 de abril.

Pequim também anunciou controles sobre as exportações de terras raras, incluindo gadolínio, usado em imagens de ressonância magnética, e ítrio, usado em eletrônicos.

“A China cometeu um erro, entrou em pânico. A única coisa que eles não podem se dar ao luxo de fazer”, escreveu Trump em letras maiúsculas em sua rede social Truth.

O governo dos EUA alertou seus parceiros comerciais a não retaliarem suas tarifas, pois correm o risco de sofrerem sobretaxas adicionais em suas exportações para os Estados Unidos.

Ameaça às bases do livre-comércio

As tarifas impostas por Trump ameaçam os fundamentos do livre-comércio que definem o mundo há décadas e já desencadearam uma guerra comercial com aliados tradicionais de Washington, como o Canadá, e adversários como a China, que anunciou suas próprias tarifas.

As taxações também alimentaram temores de uma desaceleração econômica, com o maior banco dos EUA, o JPMorgan Chase, aumentando as chances de uma recessão global de 40% para 60%.

Nos EUA, o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Jerome Powell, advertiu na sexta-feira que as tarifas de Trump poderiam levar a uma inflação mais alta e a um menor crescimento econômico, ressaltando que uma inflação mais alta poderia ser persistente e não temporária.

As tarifas também ameaçam aumentar o preço de bens como moradia, carros e roupas nos EUA, prejudicando particularmente as famílias mais pobres do país, que podem sofrer uma perda de capital de até 5,5%, de acordo com um estudo de um centro de pesquisa da Universidade de Yale.

“Emergência nacional”

Trump impôs as tarifas usando a autoridade adicional que tem como presidente para declarar uma “emergência nacional”, argumentando que a atual situação comercial representa um risco à segurança dos Estados Unidos.

O presidente prometeu que as tarifas levarão de volta aos EUA empregos que foram transferidos para países com mão de obra mais barata nas últimas décadas. Porém, nas últimas semanas, também reconheceu que pode haver um doloroso período de “transição” para as famílias americanas.

A última vez que as tarifas dos EUA foram tão altas foi depois que o presidente Herbert Hoover (1929–1933) assinou a controversa Lei de Tarifas Smoot-Hawley em 1930, que aumentou as taxas sobre muitos produtos importados para quase 40%.

Acredita-se que essa medida tenha agravado a Grande Depressão, também conhecida como Crise de 1929, que durou até os anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial.

Da Agência Fonte Exclusiva, com informações da DW Brasil.

Tags: #Tarifaço de TrumpGuerra comercial
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