No oitavo dia de guerra, as tropas russas se posicionaram perto de Kiev, capital da Ucrânia, nesta quinta-feira (3). Segundo o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, os russos estão “parados” para um reagrupamento antes de uma possível invasão da capital, ou enfrentando desafios como falta de suprimentos ou resistência de civis. As informações são da CNN.
Apesar dos avanços das forças russas, as autoridades de ambos os lados esperam discutir um possível cessar-fogo. Delegações de Rússia e Ucrânia devem se reunir nesta quinta-feira (3), às 11h (horário de Brasilia), pela segunda vez em Belarus para continuar as negociações em busca de resolução para o conflito.
Segundo um dos negociadores da Ucrânia, Davyd Arakhamia, Kiev planeja discutir a viabilidade de corredores humanitários — que não seriam alvos de ataques russos e servem para a passagem de refugiados e recursos — antes de qualquer outra questão.
A primeira conversa entre as delegações após o início dos ataques ocorreu na segunda-feira (28) e teve duração de cinco horas, mas terminou sem um avanço. Na terça-feira (1º), o presidente Volodymyr Zelensky disse que a Rússia deveria parar o bombardeio de cidades ucranianas antes que as negociações pudessem ocorrer.
Os russos assumiram o controle de Kherson, uma cidade estrategicamente importante em uma enseada do Mar Negro com uma população de quase 300 mil habitantes. O prefeito de Kherson, Ihor Kolykhaiev, declarou na quarta-feira (2) que os militares da Ucrânia não estão mais na localidade e que seus habitantes devem agora cumprir as instruções de “pessoas armadas que vieram para a administração da cidade.”
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1 milhão de refugiados deixaram a Ucrânia
Cerca de 1 milhão de refugiados fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa, disse o alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, em um tweet na noite desta quarta-feira.
“Em apenas sete dias, testemunhamos o êxodo de 1 milhão de refugiados da Ucrânia para países vizinhos”, disse Grandi. “Para muitos outros milhões, dentro da Ucrânia, é hora de silenciar as armas, para que a assistência humanitária que salva vidas possa ser fornecida”, acrescentou.
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As linhas de defesa da Ucrânia estão resistindo ao ataque russo, disse o presidente Volodymyr Zelensky em seu último vídeo, publicado no Facebook nesta quinta-feira (3), acrescentando que não houve trégua no bombardeio de Moscou à Ucrânia desde a meia-noite, no horário local.
“Não temos nada a perder além de nossa própria liberdade”, disse Zelensky, acrescentando que a Ucrânia está recebendo suprimentos diários de armas de seus aliados internacionais.
Ele disse que faz dois anos desde que a Ucrânia registrou seu primeiro caso de Covid-19: “Faz uma semana que outro vírus atacou”, disse ele sobre a invasão da Rússia.
Tribunal de Haia
O Tribunal Penal Internacional de Haia, na Holanda, informou que prosseguirá com uma investigação ativa após a invasão da Ucrânia pela Rússia. “Nosso trabalho na coleta de evidências já começou”, disse Karim A.A. Khan, procurador do Tribunal.
Khan disse que seu gabinete “já encontrou uma base razoável para acreditar que crimes dentro da jurisdição do Tribunal foram cometidos e identificou casos em potencial que seriam admissíveis”.
Números da guerra
Mais de 2.000 civis ucranianos foram mortos até esta quarta-feira durante a invasão da Rússia, segundo o Serviço de Emergência do Estado da Ucrânia.
Outras informações sobre as vítimas circulam simultaneamente. A Missão de Monitoramento de Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia disse que registrou 752 baixas civis na Ucrânia desde o início da invasão.
Segundo último informe da agência de Direitos Humanos das Nações Unidas, os números eram outros –apesar da ponderação de que poderiam ser “muito maiores” de antemão. Neste levantamento, foi constatado que pelo menos 136 civis foram mortos, incluindo 13 crianças, e 400 ficaram feridos.
O número de soldados russos mortos no conflito foi de 498, segundo o Ministério da Defesa da Rússia. Também há outros 1.597 feridos até o momento. A Ucrânia, por outro lado, aponta 7.000 mortes de soldados russos.








