As esperanças de que as relações entre Rússia e EUA cheguem a um estágio mais amistoso são improváveis no momento, segundo analisa o senador da Federação Russa, Alexey Pushkov, um dos homens do parlamento mais próximos do presidente russo Vladimir Putin, conforme destaca reportagem da agência RT, em sua versão para o inglês.
Ele acredita que as relações entre os dois países só ganharão uma dinâmica diplomática mais pacífica, quando uma nova ordem mundial for estabelecida e o mundo já está em transição diante do poderio da Rússia bélico da Rússia e econômico da China.
Pushkov foi entrevistado pelo site Ukraina.ru e já atuou como presidente do Comitê de Relações Exteriores do Estado (Duma).
“Os EUA são uma hegemonia que está gradualmente perdendo sua posição no mundo”, afirmou.
“Eles sofreram uma derrota muito séria no Oriente Médio, perderam a Síria, perderam a batalha pelo Afeganistão, foram forçados a retirar quase todas as suas tropas do Iraque no final de 2021.”
Conflitos permanentes
Segundo o senador russo, as autoridades dos EUA “estão tentando manter sua influência dominante mantendo conflitos simultaneamente e permanentemente com a Rússia e a China, embora com diferentes graus de intensidade”.
Pushkov explicou que isso cria um ambiente de tensões tanto na América quanto no resto do mundo.
“Os EUA não nos tratam mais como uma potência secundária”, explicou.
“Eles nos tratam como uma potência primordial, e é por isso que citam a Rússia, não a China, como um dos principais problemas enfrentados pelo governo Biden em 2022.”
Pushkov avalia que 2022 será “um ano de crise entre Washington e Moscou”.
“Pelo que entendi, eles (EUA) agora querem resolver o ‘problema russo’, ou seja, subjugar praticamente toda a Europa, empurrando a Rússia para seus arredores”, disse ele.
“É exatamente para isso que eles precisam da Ucrânia. A próxima fase será um confronto político ou mesmo militar com a China.”
Pushkov acrescentou que a elite política e financeira da América “acredita que eles são os únicos que podem governar o mundo”, e não pretendem deixar que mais ninguém assuma os comandos.
“Assim, até que uma nova ordem mundial seja estabelecida na qual os EUA são mais fracos e seu papel é diminuído, estaremos em conflito político mais ou menos agudo com eles.”
Biden ameaça aplicar sanções
As observações do senador russo ocorrem em meio a um impasse cada vez mais tenso entre o Oriente e o Ocidente, com altos funcionários americanos acusando Moscou de reunir tropas e equipamentos perto da fronteira ucraniana antes de uma invasão.
Na semana passada, Biden ameaçou atingir o presidente russo Vladimir Putin com sanções como “ele nunca viu” antes no caso de uma incursão, que o Kremlin negou repetidamente ter planos de encenação.
O porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, alertou contra um movimento como este no início deste mês, afirmando que “a imposição de sanções contra o chefe de Estado e contra o líder da Rússia é uma medida que é comparável ao corte de relações”.








