Morar por algumas semanas em uma ilha grega pode parecer parte de um roteiro de férias, mas, em Syros, a experiência vem acompanhada de uma rotina diária de cuidados com dezenas de gatos. Um projeto de proteção animal instalado no arquipélago das Cíclades vai abrir novas vagas para voluntários interessados em permanecer no local ao longo de 2027.
A proposta é simples: os participantes ajudam na manutenção do abrigo e no cuidado dos animais durante cinco dias por semana e, em troca, recebem hospedagem, café da manhã e despesas básicas da casa incluídas durante o período de permanência.
Apesar do apelo turístico, o programa não funciona como emprego e não oferece salário. O voluntário precisa custear a viagem até a Grécia, as demais refeições e os gastos pessoais. A estadia mínima exigida é de um mês, e candidatos disponíveis por períodos maiores podem ter vantagem durante o processo de seleção.
A rotina começa muito antes dos passeios pela ilha. Entre as tarefas estão preparar e distribuir alimentos, limpar os espaços usados pelos animais, lavar mantas e tigelas, organizar caixas de areia e ajudar na administração de medicamentos.
Parte do trabalho também envolve gatos que vivem fora do abrigo, incluindo animais encontrados nas ruas e em regiões próximas às praias. Em alguns casos, os voluntários participam do processo de socialização, especialmente de gatos mais ariscos, filhotes ou animais que podem futuramente ser encaminhados para adoção.
O projeto procura pessoas capazes de trabalhar com autonomia e assumir responsabilidades sem acompanhamento constante. Ter experiência com gatos, resgate animal ou cuidados veterinários pode ajudar, mas não é uma exigência absoluta.
O inglês, por outro lado, faz parte da rotina. Como os voluntários vêm de diferentes países, é necessário ter conhecimento funcional do idioma para compreender orientações, dividir tarefas e se comunicar dentro da casa.
Casais podem se candidatar juntos, desde que os dois participem das atividades. Pessoas que trabalham remotamente também são aceitas, mas precisam adaptar seus compromissos profissionais aos horários do projeto.
Como funciona a hospedagem
Os participantes ficam em uma casa compartilhada mantida pela organização. Cada voluntário tem quarto próprio, enquanto cozinha, banheiro e outras áreas comuns são divididos com o restante do grupo.
Normalmente, poucas pessoas permanecem no local ao mesmo tempo, o que faz com que a convivência também seja parte da experiência.
Quem pensa em transformar a viagem em férias com crianças ou animais de estimação precisa considerar outra limitação: o programa não permite que voluntários levem acompanhantes infantis ou seus próprios pets para a acomodação.
Quando abrem as inscrições
As candidaturas para 2027 serão divididas em dois períodos.
A primeira seleção começa em 1º de setembro de 2026 e será destinada a quem pretende participar entre janeiro e junho do próximo ano. Já as vagas para estadias entre julho e dezembro serão abertas em 1º de novembro.
O número de participantes é limitado, e o projeto recomenda que os interessados acompanhem os canais oficiais para não perder os períodos de inscrição.
O formulário de candidatura pede informações sobre disponibilidade, experiência anterior e motivos para participar. A seleção leva em conta principalmente o perfil de responsabilidade, autonomia e disposição para lidar com a rotina prática de cuidado dos animais.
A ilha onde o projeto funciona
Syros é uma das ilhas que formam o arquipélago das Cíclades, no mar Egeu. Sua principal cidade, Ermúpoli, é também a capital administrativa do arquipélago e se diferencia de destinos gregos mais conhecidos pelo turismo de massa.
A ilha combina praias, vilarejos e arquitetura neoclássica, mas a experiência oferecida pelo projeto não é pensada como pacote turístico.
Quem é selecionado tem dois dias de folga por semana para explorar a região, mas os outros cinco são dedicados às atividades com os animais.
Por isso, o programa pode ser atraente principalmente para quem deseja passar um período mais longo fora do país e, ao mesmo tempo, participar de um trabalho de proteção animal.
Não é exatamente o “emprego dos sonhos” sugerido por algumas publicações. É uma experiência de voluntariado com responsabilidades definidas, sem remuneração e com custos que continuam sendo do participante.
Para quem gosta de gatos e está disposto a conciliar trabalho voluntário com uma temporada em uma ilha grega, porém, a proposta pode ser uma forma diferente de viver Syros longe do turismo convencional.
*Da Agência Fonte Exclusiva








