O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enfrenta um novo momento de isolamento político após derrotas eleitorais de aliados em países vizinhos. Mudanças recentes em Honduras e em São Vicente e Granadinas reduziram ainda mais o apoio regional ao governo venezuelano, que já vinha enfraquecido desde o questionamento internacional sobre as eleições venezuelanas de 2024.
Em Honduras, a disputa presidencial avançou sem a candidata associada à atual administração de esquerda. Rixi Moncada, ligada ao governo da presidente Xiomara Castro, ficou fora da liderança e abriu caminho para dois nomes de orientação conservadora que defendem o afastamento diplomático de Caracas. Entre eles está Nasry Asfura, que recebeu apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
No Caribe, a derrota do primeiro-ministro Ralph Gonsalves, aliado histórico de Maduro, marcou o fim de quase 25 anos de governo em São Vicente e Granadinas. O novo premiê, Godwin Friday, assume após ampla vitória de seu partido no Parlamento, indicando uma inflexão política no país.
Esses resultados se somam a um movimento mais amplo observado na América Latina: o afastamento gradual do chavismo, corrente iniciada por Hugo Chávez e mantida por Maduro desde 2013. Mesmo governos de esquerda ou centro-esquerda — como os de Brasil, Chile, México e Colômbia — têm reduzido o grau de proximidade com Caracas, sobretudo depois da eleição venezuelana contestada no ano passado.
Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro retomou relações diplomáticas com a Venezuela no início do mandato, mas passou a adotar postura mais cautelosa. Em entrevista recente, Petro rejeitou acusações americanas de envolvimento de Maduro com o tráfico de drogas, mas apontou falta de democracia e diálogo como problemas centrais do regime.
A Argentina também ilustra a guinada política. Após anos de aproximação durante os governos de Néstor Kirchner e Cristina Fernández de Kirchner, os laços com Caracas se enfraqueceram a partir da eleição de Mauricio Macri e foram ainda mais tensionados sob Javier Milei, crítico declarado do socialismo.
No Brasil, a relação oscilou conforme a orientação política dos governos. Durante os mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, houve aproximação. O vínculo se deteriorou sob Michel Temer e Jair Bolsonaro, e voltou a ser restabelecido com o retorno de Lula, embora sem o mesmo nível de alinhamento.
Com o esvaziamento regional, restam poucos aliados a Caracas. Cuba segue como parceira política, mas enfrenta severa crise econômica. A Nicarágua, governada por Daniel Ortega, tem adotado postura discreta e limitou-se a criticar a presença militar dos Estados Unidos no Caribe.
A tensão aumentou após a intensificação da presença naval americana na região, batizada de “Operação Lança Sul”, segundo o Pentágono. Fontes ouvidas pela CNN indicaram que Trump reuniu assessores para discutir os próximos passos em relação à Venezuela.
Em resposta, Maduro adotou tom de resistência e reiterou discurso contra sanções e pressões externas. Auxiliares relatam que o dirigente aposta no desgaste político em Washington e na baixa disposição do público americano para uma intervenção no exterior, estratégia que já utilizou em crises anteriores.
Com a perda de aliados e o avanço de governos menos alinhados ao chavismo, a Venezuela entra em 2026 sob maior isolamento diplomático. O impacto desse novo cenário ainda é imprevisível, mas o mapa político regional aponta um afastamento cada vez maior de Caracas.
*Da Agência Fonte Exclusiva








