As transformações geopolíticas iniciadas após o fim da Guerra Fria alteraram profundamente o equilíbrio entre as grandes potências e enfraqueceram as regras estabelecidas depois da Segunda Guerra Mundial.
A avaliação foi apresentada pelo presidente russo, Vladimir Putin, neste domingo (26), durante uma reunião com oficiais da Marinha.
Ao analisar a dissolução da União Soviética, Putin afirmou que o episódio não significou apenas o desaparecimento de uma potência.
Segundo ele, o colapso soviético também encerrou o modelo de relações internacionais construído no período posterior ao conflito mundial.
Para o presidente russo, a estrutura que orientava a convivência entre os países tinha como principal fundamento a Carta das Nações Unidas. O documento foi elaborado com a participação das nações vencedoras da Segunda Guerra, incluindo União Soviética, Estados Unidos e Reino Unido.
Carta da ONU é apontada como base jurídica
Putin definiu a Carta da ONU como o principal alicerce do direito internacional contemporâneo. Na avaliação dele, o texto estabeleceu regras destinadas a proteger a soberania dos Estados e limitar ações unilaterais.
O presidente argumentou que esse equilíbrio começou a ser modificado após a dissolução da União Soviética. Com o enfraquecimento da Rússia, países que se consideraram vencedores da Guerra Fria teriam passado a defender uma reorganização da ordem internacional.
As críticas foram direcionadas principalmente aos Estados Unidos e a outras nações ocidentais. Segundo Putin, esses países concluíram que Moscou não deveria manter os mesmos direitos e a influência anteriormente exercidos pela União Soviética.
Ocidente é acusado de ignorar princípios internacionais
Na avaliação apresentada pelo líder russo, a mudança de postura abriu caminho para decisões tomadas fora dos parâmetros estabelecidos pela Carta da ONU.
Putin afirmou que os países ocidentais passaram a agir com menor consideração pelas regras internacionais depois que deixaram de encontrar um contrapeso equivalente ao poder soviético.
Como exemplo, mencionou a intervenção militar realizada na Iugoslávia. Para o presidente russo, a operação desrespeitou os princípios jurídicos que deveriam orientar as relações entre os Estados.
Ele também criticou a divisão da população sérvia entre diferentes países, classificando o processo como incompatível com os fundamentos da ordem internacional criada no pós-guerra.
Putin fala em consequências difíceis de controlar
Ao comentar os impactos das decisões tomadas depois do fim da União Soviética, Putin afirmou que o Ocidente criou uma situação cujas consequências se tornaram difíceis de administrar.
O presidente utilizou a expressão “soltar o gênio da garrafa” para ilustrar os efeitos produzidos pelas intervenções e mudanças realizadas sem observância das normas internacionais.
Segundo ele, a ruptura do equilíbrio anterior contribuiu para a formação de um ambiente global mais instável, marcado por disputas de influência e interpretações diferentes sobre soberania e legitimidade.
Discurso reforça posição do governo russo
As declarações foram apresentadas durante um encontro com integrantes da Marinha russa, no qual acontecimentos históricos foram relacionados aos atuais desafios políticos e militares enfrentados pelo país.
O posicionamento reforça a narrativa adotada pelo governo de Moscou de que a atual configuração mundial foi influenciada pela expansão do poder ocidental após a dissolução da União Soviética.
Putin defendeu que a Carta das Nações Unidas permaneça como referência central para a solução de conflitos e para a condução das relações diplomáticas.
Segundo o presidente, o respeito à soberania dos Estados e às regras estabelecidas no pós-guerra é necessário para evitar novas ações unilaterais e recuperar maior equilíbrio entre as nações.
*Da Agência Fonte Exclusiva








