O Departamento de Defesa dos Estados Unidos está reformulando sua estratégia de emprego de armas nucleares com o objetivo de ampliar as alternativas disponíveis ao presidente norte-americano em situações de crise internacional.
A revisão, divulgada pela NBC News, considera principalmente possíveis conflitos regionais envolvendo Rússia ou China e aliados dos Estados Unidos.
Segundo a reportagem, o Pentágono prepara um novo documento estratégico voltado ao fortalecimento da capacidade de dissuasão nuclear do país, buscando oferecer opções de resposta consideradas mais compatíveis com diferentes cenários de segurança.
Estratégia passa a priorizar armas nucleares táticas
Uma das principais mudanças em estudo é o foco no uso de armas nucleares táticas, de menor alcance, em vez de concentrar o planejamento apenas no emprego de armamentos estratégicos de longo alcance.
Esse tipo de armamento é considerado voltado para cenários regionais e conflitos localizados, diferentemente das armas estratégicas, tradicionalmente associadas ao equilíbrio nuclear entre grandes potências.
A revisão pretende ampliar o leque de respostas disponíveis ao governo norte-americano diante de diferentes níveis de escalada militar.
Fim do Novo START muda cenário internacional
A revisão ocorre em meio a um novo contexto nas relações entre Estados Unidos e Rússia. Desde fevereiro, os dois países deixaram de contar com um tratado bilateral em vigor que limitava seus arsenais nucleares, encerrando décadas de mecanismos formais de controle de armamentos.
O Novo START foi firmado em 2010 pelos então presidentes Barack Obama e Dmitry Medvedev e prorrogado por mais cinco anos em 2021.
Com o término da vigência do acordo, aumentaram as discussões sobre novos modelos internacionais para limitar armas nucleares.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou em fevereiro que futuros acordos de controle de armamentos não poderão mais depender exclusivamente de negociações entre Washington e Moscou, defendendo um formato que considere a atual configuração geopolítica.
Europa também discute fortalecimento da defesa
O debate sobre segurança internacional também ganhou espaço na Europa. O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, voltou a defender uma maior integração militar entre os países europeus.
Segundo o líder espanhol, o continente precisa acelerar a construção de uma política comum de defesa.
“Construamos um verdadeiro exército europeu, não em dez anos, mas agora. A Espanha se somará com todos os recursos necessários”, afirmou.
Além do fortalecimento da capacidade militar, Sánchez defendeu o reforço do sistema multilateral e afirmou que a comunidade internacional necessita de um “rearmamento moral” para enfrentar os desafios atuais.
Mudanças refletem novo cenário geopolítico
A revisão da estratégia nuclear norte-americana ocorre em um contexto marcado por tensões internacionais, mudanças nos mecanismos de controle de armamentos e discussões sobre o fortalecimento das capacidades de defesa em diferentes regiões do mundo.
Caso as alterações sejam implementadas, os Estados Unidos passarão a contar com um conjunto mais amplo de opções de resposta para situações envolvendo potências nucleares, enquanto o debate internacional sobre estabilidade estratégica e controle de armas continua em evolução.
*Da Agência Fonte Exclusiva








