Parlamentares da Groenlândia rejeitaram de forma contundente informações de que o governo dos Estados Unidos estaria avaliando a possibilidade de oferecer pagamentos diretos em dinheiro à população local como forma de estimular um rompimento com a Dinamarca. A proposta, atribuída à gestão do então presidente Donald Trump, teria valores que chegariam a até 100 mil dólares por morador.
A deputada Aaja Chemnitz, uma das representantes groenlandesas no parlamento dinamarquês, afirmou em entrevista à Bloomberg que a ideia ignora a identidade e a soberania do povo local. Para ela, sugerir que uma população possa ser convencida financeiramente a mudar de status político é uma demonstração de desrespeito. Chemnitz preside o comitê do Folketinget voltado aos assuntos da Groenlândia.
Informações divulgadas pela Reuters indicam que assessores da Casa Branca discutiram pagamentos que variariam entre 10 mil e 100 mil dólares por habitante. No cenário mais alto, o custo total ultrapassaria 5 bilhões de dólares. As conversas teriam ganhado força após uma operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, mencionada como parte do contexto geopolítico mais amplo.
A reação negativa, no entanto, não se limitou a um único grupo político. A parlamentar Aki-Matilda Hoegh-Dam, ligada ao partido Naleraq e defensora da independência da Groenlândia, também rejeitou qualquer tipo de acordo financeiro. Segundo ela, tratar pessoas como objeto de negociação econômica fere princípios básicos de dignidade e autodeterminação.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, que assumiu o cargo em abril de 2025, classificou a retórica de anexação como inaceitável. Em publicação nas redes sociais, ele criticou o que chamou de pressão externa e afirmou que o território não aceitará insinuações sobre perda de soberania.
Pesquisas de opinião reforçam esse posicionamento político. Levantamentos recentes indicam que a maioria da população groenlandesa se opõe à ideia de integrar os Estados Unidos. Nas eleições de março, aproximadamente três quartos do eleitorado votaram em partidos que defendem um processo gradual de independência em relação à Dinamarca, sem alinhamento direto com Washington.
O episódio também elevou o tom das discussões diplomáticas. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que pretende se reunir com autoridades dinamarquesas para tratar do tema. Em declarações a parlamentares americanos, ele disse que a estratégia do governo seria negociar, e não usar força militar, embora autoridades da Casa Branca não tenham descartado completamente outras opções.
Diante do cenário, Dinamarca e Groenlândia solicitaram reuniões formais para discutir o assunto. Os chanceleres Lars Løkke Rasmussen e Vivian Motzfeldt destacaram a necessidade de diálogo aberto e transparente entre as partes envolvidas. Em apoio, França, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca divulgaram uma nota conjunta afirmando que o futuro da Groenlândia cabe exclusivamente ao seu povo e às autoridades locais, ressaltando o respeito à soberania e às fronteiras no Ártico.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que qualquer tentativa de uso da força por parte dos Estados Unidos teria consequências graves para a estabilidade internacional, inclusive para a própria aliança atlântica, lembrando que acordos de defesa existentes já garantem aos EUA presença estratégica na região.
*Da Agência Fonte Exclusiva








