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Países iniciam desdolarização da economia

redacao Por redacao
05/11/2018 - 07:00
em Mundo
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Foto: Sputnik Brasil

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Contrato da Rússia para venda do sistema S-400 à Índia em rublos confirma que o mundo caminha para o fim da hegemonia do dólar; Leia mais e entenda:

*Reportagem Especial | Foto CC BY 2.0 / Mike Poresky

Vários países iniciaram um movimento para derrubar o dólar da confortável condição de moeda global. A estratégia é negociar em moedas locais. Recentemente, foi anunciado que a Rússia e a Índia celebraram o contrato de fornecimento de sistemas de defesa antiaérea S-400 em rublos russos. Isso pode representar um redesenho da ordem mundial.

ENTENDA O CONTRATO FIRMADO ENTRE A RÚSSIA E A ÍNDIA NA COMPRA DOS EQUIPAMENTOS DE DEFESA

Em 31 de outubro, o vice-primeiro-ministro russo Yuri Borisov declarou que o contrato de fornecimento dos sistemas de defesa antiaérea S-400 Triumph à Índia foi celebrado na moeda nacional russa.

O contrato longamente esperado foi firmado pelo presidente russo, Vladimir Putin, e pelo premiê indiano, Narendra Modi, em 5 de outubro de 2018 e prevê a entrega de cinco conjuntos do sistema russo à Índia. Sem dúvidas, esse é um acordo marcante, tanto do ponto de vista político e militar, como econômico.

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CONHEÇA O PODEROSO SISTEMA DE DEFESA ANTIAÉREA  E SAIBA COMO OS EUA PUNEM OS PAÍSES QUE COMPRAM

O S-400 russo é um sistema de defesa antiaérea de nova geração de médio e longo alcance, com capacidade para ser usado em quaisquer condições climáticas e inclusive sob forte interferência de aparelhos de guerra eletrônica.

Muitos países já mostraram seu desejo de adquirir sistemas russos com caraterísticas tão sofisticadas.

Primeiro Ministro da Índia, Narendra Modi e o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Astana (capital do Cazaquistão) | Foto: Reprodução

Washington expressou reiteradamente sua preocupação com os planos de Nova Deli para comprar os S-400 russos e ameaçou com introdução de sanções em conformidade com a lei CAATSA (Lei de Contenção de Adversários da América Através de Sanções).

Segundo a CAATSA, qualquer terceiro que realize transações importantes com uma empresa sancionada russa (entre elas está a Rosoboronexport, exportadora de equipamentos militares russos) é passível de medidas punitivas. Essas medidas preveem a possibilidade de congelar os ativos dos “violadores”, cancelar a cooperação com suas instituições financeiras, bem como bloquear operações bancárias entre os Estados.

Tendo em consideração que a moeda norte-americana, segundo os dados da SWIFT (Sociedade para Telecomunicações Financeiras Interbancárias Globais), é responsável por 40% dos pagamentos bancários globais, as medidas restritivas dos EUA podem afetar seriamente a economia dos países sancionados por Washington.

As autoridades da Índia percebem que os EUA podem introduzir sanções contra o país por causa da aquisição dos S-400 russos, mas, apesar de todas as ameaças, preferem realizar uma política independente. Entretanto, levando em conta as possíveis consequências do uso do dólar, acordaram com a Rússia (contra a qual já foram introduzidos numerosos pacotes de sanções) a compra dos sistemas em rublos.

COMÉRCIO BILATERAL E A ESTRATÉGIA PARA DESDOLARIZAR A ECONOMIA MUNDIAL

Embora o contrato para fornecimento de cinco sistemas S-400 à Índia seja para a Rússia o maior contrato militar celebrado em moeda diferente do dólar, a Rosoboronexport já celebrou vários acordos de exportação de armas em moedas nacionais, sem uso do dólar. Os representantes da empresa declararam que é necessário abandonar a divisa dos EUA nos contratos para exportação de armas.

A Rússia fala sobre a desdolarização há vários anos e está tentando diminuir sua dependência da divisa norte-americana depois de Washington e seus aliados terem imposto sanções ao país em 2014.

Em outubro de 2017, a China, o principal parceiro comercial da Rússia, abriu em Moscou a primeira divisão do seu Banco de Indústria e Comércio para promover transações em yuanes. A entrada do yuan na Rússia não é exclusiva. Moscou já assinou acordos com a Turquia, Irã e Azerbaijão para reduzir o uso do dólar nas transações internacionais.

A Rússia quer também se livrar da dependência do dólar como moeda de reserva. No período entre abril e agosto de 2018, o Banco Central russo vendeu quase todos os seus títulos do Tesouro dos EUA, acelerando a compra de ouro.

MAIS RODADAS DE SANÇÕES DOS EUA PARA CONTER A CONCORRÊNCIA; RESTRIÇÕES PODEM ASFIXIAR A ECONOMIA DE ALGUNS PAÍSES

Em novembro de 2018 poderá ser introduzida outra rodada de sanções antirrussas dos EUA. Neste caso, as restrições poderão abranger a concessão de créditos a pessoas jurídicas russas, bem como as exportações e importações.

Para defender a economia russa, o presidente do VTB, um dos maiores bancos russos, Andrei Kostin, apresentou seu plano de desdolarização, que inclui, entre outras medidas, a transição ainda mais rápida para outras moedas (euro, yuan e rublo) em operações de importação e exportação.

POLÍTICA AGRESSIVA DE TRUMP, NEGÓCIOS EM MOEDAS LOCAIS E RESERVAS EM OURO

O dólar dos EUA continua sendo a moeda mais usada no mundo. O uso do dólar facilita a valorização dos contratos e o comércio internacional em geral.

Entretanto, nos últimos anos cada vez mais países discutem o abandono do dólar nas transações internacionais, enquanto a política comercial agressiva do presidente dos EUA Donald Trump tornou o dólar norte-americano menos adequado para pagamentos internacionais.

A China aumentou a participação do yuan na hora de negociar com os principais parceiros comerciais, em particular com a Rússia e o Irã, que se encontram sob sanções norte-americanas. Além disso, em março de 2018 Pequim lançou contratos futuros de petróleo cotados em yuan. O terceiro maior produtor de petróleo da OPEP, o Irã, já vende seu petróleo à China por yuanes. Teerã rejeitou o comércio em dólares depois da saída dos EUA do acordo nuclear iraniano (Plano Conjunto de Ação Integral) e da reintrodução das sanções.

A discussão sobre a criação de uma moeda única dos países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul) já é discutida há muito tempo. Os países já concordaram em conceder empréstimos mútuos em moedas nacionais.

MEMBROS DA UNIÃO EUROPEIA QUESTIONAM USO MASSIVO DO DÓLAR; O GRANDE NEGÓCIO É INSERIR O EURO

Até a UE, aliado tradicional dos EUA, questiona a necessidade de uso massivo do dólar no comércio. Por exemplo, o ex-primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, queixou-se de que a Europa paga 80% das suas importações de energia em divisa norte-americana e descreveu como “absurdo” o fato de as empresas europeias adquirirem aviões europeus em dólares e não em euros.

De fato, é Washington que através da sua política de sanções está empurrando outros países, como a Rússia, Índia, China, Irã e até os países europeus, para abandonarem o dólar e apostarem em outras moedas.

Os resultados desse processo são evidentes. Em 2015 a moeda dos EUA foi responsável por 44% das transações bancárias realizadas pelo SWIFT. Em 2017, a cota-parte do dólar representou apenas 40%. Parece que em 2018 esse número será ainda menor.

O mundo entende que é necessário encontrar uma alternativa ao dólar, independente de Washington, para realizar uma política de acordo com os interesses nacionais de cada país.

*Sputnik Brasil

Tags: #desdolarizacao#Moedas#SançõesDólarEUApaíses
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