Em declaração que ecoou como um obituário político, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmou categoricamente que “não haverá um Estado palestino” durante cerimônia de assinatura do plano de expansão do assentamento de Maale Adumim, na Cisjordânia ocupada.
O projeto, defendido por setores ultranacionalistas de seu governo, prevê a construção de 3.400 residências na estratégica área E1, que conecta Jerusalém Oriental ao referido assentamento.
Esta expansão, segundo especialistas, fragmentará definitivamente a Cisjordânia em dois enclaves desconectados, inviabilizando a continuidade territorial necessária para um Estado palestino viável.
Netanyahu justificou a medida afirmando que “esta terra nos pertence”, recorrendo inclusive a uma reinterpretação de Salmos bíblicos para sustentar sua visão expansionista.
O plano – que pode elevar a população de Maale Adumim dos atuais 40 mil para 70 mil habitantes em cinco anos – foi articulado pelo ministro das Finanças Bezalel Smotrich, ele próprio um colono radical que já declarou abertamente buscar “enterrar a possibilidade de um Estado palestino independente”.
A comunidade internacional reagiu com veemência. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a expansão representa uma “ameaça existencial” à solução de dois Estados.
A União Europeia anunciou revisão de acordos comerciais com Israel, enquanto países como França e Alemanha emitiram condenações formais. A Autoridade Palestina classificou a medida como “apartheid e limpeza étnica”, acusando Israel de tornar irreversível a ocupação dos territórios palestinos.
O contexto é particularmente delicado: a expansão ocorre paralelamente à guerra em Gaza, que já matou mais de 64 mil palestinos, e segue-se à criação de 22 novas colônias israelenses anunciadas em maio na Cisjordânia.
Com aproximadamente 700 mil colonos já vivendo em assentamentos considerados ilegais pelo direito internacional, a medida aprofunda o isolamento diplomático de Israel enquanto alimenta tensões que podem levar a uma nova intifada ou ao colapso definitivo da Autoridade Palestina.
Da Agência Fonte Exclusiva.








