A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que o país busca retomar o envio de petróleo a Cuba, em meio ao agravamento da crise energética enfrentada pela ilha. A declaração foi feita no momento em que o governo cubano lida com escassez de combustível, apagões prolongados e dificuldades em serviços essenciais.
Segundo Sheinbaum, a intenção é viabilizar os embarques por meio de empresas comerciais e privadas, e não diretamente por companhias estatais, como ocorreu anteriormente. A presidente mexicana apresentou a medida como uma ação de caráter humanitário e também como uma decisão soberana do México.
O anúncio marca uma mudança em relação ao início do ano, quando o México pausou temporariamente os envios de petróleo a Cuba. Na ocasião, o tema passou a ser tratado em meio à pressão dos Estados Unidos sobre países e empresas que fornecem combustível à ilha.
Entre janeiro e setembro de 2025, o México havia se tornado um dos fornecedores relevantes de petróleo para Cuba, com remessas feitas por meio de uma subsidiária ligada à estatal Pemex. O último carregamento mexicano confirmado chegou a Havana em janeiro, transportado a partir do porto de Veracruz.
Crise energética afeta serviços básicos
A escassez de combustível agravou uma crise que já atingia a economia cubana e o funcionamento de serviços públicos. Hospitais, escolas, transporte, abastecimento de água e atividades comerciais têm sido afetados por apagões e restrições operacionais.
Em maio, autoridades cubanas reconheceram que o país enfrentava uma situação crítica no fornecimento de diesel e óleo combustível. A redução das importações, somada à dependência de fontes externas de energia, aumentou a pressão sobre a rede elétrica e sobre a rotina da população.
Fora de Havana, moradores têm relatado longos períodos sem eletricidade. A crise também tem impacto sobre alimentos refrigerados, atendimento médico, produção econômica e deslocamento da população.
Retomada ainda depende de viabilidade
Apesar da sinalização do México, ainda não está claro quando os novos envios poderão ocorrer nem como serão organizados para evitar barreiras comerciais ou sanções. Sheinbaum indicou que o governo mexicano pretende buscar caminhos legais e comerciais para permitir a entrega do combustível.
A tentativa ocorre em paralelo a outras negociações envolvendo possíveis carregamentos para Cuba. Empresas privadas também têm sido citadas em tratativas para envio de diesel e gasolina à ilha, mas a concretização dessas operações depende de condições regulatórias, comerciais e diplomáticas.
Cuba produz apenas parte do petróleo que consome e historicamente dependeu de aliados externos para completar seu abastecimento. Com a redução dessas fontes, o país passou a enfrentar uma das crises energéticas mais graves dos últimos anos.
Para o governo mexicano, a retomada dos envios seria uma forma de apoio humanitário diante da deterioração das condições internas em Cuba. Para os Estados Unidos, no entanto, o fornecimento de petróleo à ilha segue sendo um tema sensível dentro da política de pressão econômica sobre Havana.
*Da Agência Fonte Exclusiva








