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Menino de 9 anos comete suicídio nos EUA após revelar a colegas que era gay

redacao Por redacao
26/05/2021 - 22:34 - atualizado em 27/05/2021 - 00:19
em Mundo
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debate sobre bullying e suicídio volta à tona após a morte do menino americano Jamel Myles

Jamel Myles foi encontrado morto na última quinta-feira na casa da família Foto: Divulgação)

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O debate sobre bullying e suicídio volta à tona após a morte do menino americano Jamel Myles, de 9 anos. Ele teria tirado a própria vida, na última quinta-feira, dia 23, poucos dias após ter dito a seus colegas de classe que era gay, segundo sua mãe, Leia Pierce.

Em entrevista ao jornal “Denver Post”, ela contou que atribui a atitude desesperada do filho ao deboche e aos comentários cruéis de outras crianças da Escola Fundamental Joe Shoemaker, em Denver, nos EUA.

Leia Pierce relatou ao jornal que, durante as férias de verão, o menino disse a ela pela primeira vez que era homossexual. Logo depois, ele teria contado aos colegas.

— Ele parecia tão assustado quando me contou. Ele disse: “Mamãe, eu sou gay”. Eu pensei que ele estava brincando, então olhei para trás, porque estava dirigindo, e ele estava tão assustado. E eu disse: “E eu continuo amando você” — contou Leia, acrescentando que o filho queria muito contar para seus colegas da escola. — Ele foi para a escola e disse que iria contar para as pessoas que era gay porque estava muito orgulhoso.

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As aulas começaram em uma segunda-feira. Quatro dias depois, Jamel foi encontrado morto em casa.

— Quatro dias foi tudo o que durou na escola. Eu nem consigo imaginar o que disseram para ele — lamentou Leia. — Meu filho contou para a irmã mais velha que as crianças da escola disseram a ele para se matar. É tão triste que ele não tenha me procurado.

O Distrito Escolar do Condado de Denver instalou uma comissão de conselheiros para os estudantes da escola de Jamel. Cartas foram enviadas aos pais na sexta-feira, lamentando a morte de Jamel, “uma perda inesperada para a nossa comunidade escolar”, e aconselhando as famílias a ficarem atentas a sinais de estresse nas crianças.

“Nosso objetivo é ajudar vocês a contarem a notícia aos seus filhos da forma mais apropriada possível, com todo o apoio necessário. Então, sintam-se à vontade para nos procurar para saberem como lidar com a situação”, diz a carta.

Em entrevista à BBC, Will Jones, porta-voz do distrito, afirmou que os professores da Escola Fundamental Joe Shoemaker “estão criando um espaço para os estudantes compartilharem como estão se sentindo e processarem suas emoções”. Professores do 4º e do 5º ano se reunirão com as famílias individualmente:

— Nossa prioridade é cobrir todas as questões envolvidas neste caso, para manter todos os estudantes seguros e revisar de forma justa e completa os fatos envolvidos nesta trágica perda.

Apesar da dor, a mãe do menino tenta alertar as famílias sobre as consequências do bullying. Ela também cobra responsabilização dos pais daquelas crianças que praticam bullying contra outras.

— Nós, pais, devemos ter responsabilidade pelo bullying — afirmou Leia. — Eu acho que os pais devem ser punidos porque, obviamente, eles estão ensinando as crianças a agirem assim ou estão tratando-as dessa forma.

Ajuda profissional é importante, dizem especialistas
De acordo com Fabio Barbirato, psiquiatra infantil da Santa Casa de Misericórdia do Rio, a primeira coisa que pais devem fazer nessa situação é procurar ajuda profissional, de psicólogos ou psiquiatras especializados em desenvolvimento infantil. Isso porque, com apenas 9 anos, a sexualidade ainda não está definida, nem a criança tem capacidade cognitiva de compreender o assunto.

— Uma criança de 9 anos não tem essa percepção da sexualidade, nem tem interesse sexual. Acho pouco provável que um menino de 9 anos saiba definir isso, porque a sexualidade é construída ao longo da vida. Aos 9 anos, a criança ainda é considerada assexual — explica ele.

Barbirato destaca que os pais precisam estar atentos aos possíveis porblemas pelos quais os filhos passam.

— Homossexualidade é normal, não é doença. Mas o estranho é que o menino tenha tido a capacidade de se perceber homossexual ainda aos 9 anos. O que ocorre muitas vezes é uma sexualidade precoce estimulada por fatores externos — diz ele. — Acredito que, talvez, ele estivesse sofrendo transtornos de identidade de gênero ou depressão, e isso não tenha sido observado e tratado corretamente. Os pais precisam dispnesar algum tempo em sua rotina diária para conversar com os filhos, jantar, passar um tempo livre com eles. Só assim conhecerão o que preocupa seus filhos.

Segundo a psicóloga Sally Carvalho, especialista em clínica infantil pela PUC-Rio, não basta que uma criança que se diz homossexual tenha aceitação e apoio dentro da própria família. Ela precisa, também, se sentir aceita pelos grupos sociais nos quais está inserida — e a escola é, em geral, o principal deles. Por isso, além de dar suporte, é importante que qualquer família nessa situação informe à escola e discuta esse assunto com diretores, professores e psicólogos.

— No caso de Jamel, quando ele disse “mãe, eu sou gay”, ele estava dizendo ” mãe, eu sou gay, o que eu faço?”. Era um pedido de orientação, de ajuda. Ele teve como resposta que é amado pela família, o que é muito importante, mas não costuma bastar.

Ele também tinha a necessidade de ser aceito pelo grupo, ainda mais em se tratando de uma criança. A mãe, por não ser orientada sobre como lidar com o assunto, não falou sobre essa questão com a escola e com os responsáveis por outros ambientes que o filho pudesse frequentar.

Ela pode ter subestimado a situação. A família deveria, ao tomar conhecimento, ir à escola e, junto à coordenadora e ao psicólogo, falar para a turma. Isso contribuiria para que o menino fosse mais protegido contra o bullying — afirma Sally.

A poucos dias do início da campanha Setembro Amarelo, dedicado à prevenção ao suicídio, a psicóloga ressalta que é importante falar sobre o assunto. Só assim é possível, segundo ela, evitar que mais pessoas — inclusive crianças — cheguem ao extremo. Sally defende o fim do tabu em torno do suicídio.

— A sociedade tem que ficar mais aberta a discutir isso. Tratar como tabu ou como vergonha é ruim — pontua ela.

Já quanto à descoberta da sexualidade ainda na infância, Sally defende que esse entendimento ocorre em fases diferentes da vida para cada indivíduo. De acordo com ela, alguns compreendem sua própria sexualidade ainda crianças, enquanto outros só vão articular isso mais tarde. Isso vale, claro, para heterossexuais ou homossexuais.

— Pode ser que uma criança com 9 anos já perceba como é a própria sexualidade. Já outras pessoas podem racionalizar isso só anos depois. Só que, se essa sexualidade não for o que a sociedade como um todo espera da pessoa, o que é o caso dos homossexuais, pode haver um conflito interno. Isso é gerado por um sentimento de exclusão do grupo — destaca ela.

As informações são do Extra.

Tags: #Bullying#Gay#Homossexualidade
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