O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, realizaram um encontro bilateral nesta quarta-feira (18) durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York. A reunião, solicitada pelo governo ucraniano, representa um esforço de reaproximação após um período de mais de dois anos marcado por críticas públicas e desentendimentos entre os dois líderes.
Após o encontro, Zelensky afirmou à imprensa que recebeu “sinais positivos” de Lula, dizendo que o presidente brasileiro se comprometeu a “fazer o possível para levar a paz para a Ucrânia”. O lado brasileiro confirmou a disposição para o diálogo.
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A relação entre os dois países foi tensionada pela postura de Lula, que historicamente mantém proximidade com a Rússia e defende uma solução diplomática para o conflito, criticando o fornecimento de armas à Ucrânia por países ocidentais. Em 2022, Lula chegou a afirmar que Zelensky “quis a guerra”. O presidente ucraniano, por sua vez, questionou publicamente o motivo do Brasil se aliar a países não democráticos em iniciativas de paz.
Tentativas anteriores de encontro, como durante a cúpula do G7 em 2023, fracassaram, gerando constrangimentos diplomáticos. Um primeiro encontro na ONU no ano passado foi descrito como “frio e protocolar”.
O Fator Trump: A Mudança no Tabuleiro Geopolítico
Analistas consultados pela BBC News Brasil concordam que a eleição de Donald Trump foi crucial para viabilizar a reunião. A nova política externa dos EUA, com um apoio menos incondicional à Ucrânia e uma reaproximação com Vladimir Putin, pressionou Zelensky a buscar novos apoios na comunidade internacional.
“Trata-se de um momento muito delicado para a Ucrânia, diante de uma grande ofensiva russa. Nesse cenário, não faz sentido para Kiev abrir mão de diálogo com um ator que tem peso político e simbólico como o Brasil”, avalia David Magalhães, professor da PUC-SP.
Para o Brasil, o encontro representa um reconhecimento de seu papel como potência média e voz influente no Sul Global. “Se o Brasil não tivesse peso diplomático, a demanda por reunião não ocorreria. Parte da razão é a posição autônoma de Lula, que mantém diálogo com Putin”, complementa Haroldo Ramanzini, professor da UnB.
A reunião sinaliza, portanto, um recálculo estratégico de ambos os lados em um contexto geopolítico em transformação, onde o Brasil surge como um interlocutor chave para a Ucrânia ampliar sua rede de apoio diplomático.
Da Agência Fonte Exclusiva.








