A Marinha de Israel incorporou oficialmente o INS Drakon, sexto e último submarino da classe Dolphin II, ampliando a capacidade estratégica de sua frota naval. A embarcação foi construída pela empresa alemã ThyssenKrupp Marine Systems (TKMS) e teve custo estimado em US$ 634 milhões.
A entrega ocorreu de forma discreta em julho, na cidade alemã de Kiel. A chegada estava inicialmente prevista para 2025 e representa a conclusão da atual geração de submarinos Dolphin II utilizados pela Marinha israelense.
Submarino amplia capacidade de permanência submersa
Com mais de 70 metros de comprimento e deslocamento superior a 2 mil toneladas, o INS Drakon utiliza um sistema de propulsão baseado em células de combustível de hidrogênio.
A tecnologia permite que a embarcação permaneça submersa por períodos prolongados, característica considerada relevante para operações de longa duração e para a capacidade de dissuasão estratégica das forças israelenses.
O submarino também é apontado por especialistas como potencialmente equipado para operar mísseis de longo alcance. Israel, entretanto, mantém uma política oficial de não confirmar nem negar a existência de armas nucleares em seu arsenal.
A incorporação do Drakon ocorre em um momento de elevada tensão entre Israel e Irã, contexto que aumenta a importância atribuída à capacidade de operações de longa distância e permanência prolongada sob a superfície.
Acordo com a Alemanha
A aquisição faz parte de um acordo mais amplo firmado entre Alemanha e Israel em 2022, estimado em aproximadamente 3 bilhões de euros.
O governo alemão participa do financiamento do programa, com contribuição equivalente a cerca de 20% dos custos previstos. A cooperação militar entre os dois países se estende por décadas e inclui outros projetos estratégicos.
Entre eles está o sistema de defesa antimísseis Arrow 3, desenvolvido para interceptar ameaças balísticas e que também passou a integrar programas de defesa de países europeus.
Israel prepara nova geração de submarinos
A modernização da frota israelense deve prosseguir nos próximos anos. A partir de 2031, estão previstas as primeiras entregas de três submarinos da classe Dakar, desenvolvidos para substituir gradualmente embarcações mais antigas.
Os novos modelos deverão ser maiores e incorporar sistemas projetados especificamente para as necessidades estratégicas da Marinha de Israel.
A expectativa é que a classe Dakar represente uma nova etapa tecnológica para a frota submarina e amplie as capacidades operacionais do país.
Programa foi alvo de investigação de corrupção
O programa de submarinos também esteve envolvido no chamado Caso 3000, uma investigação que apurou suspeitas de corrupção relacionadas à compra de submarinos e outros equipamentos navais da TKMS.
As investigações resultaram na prisão e no questionamento de diferentes pessoas envolvidas no processo de aquisição, diante de suspeitas de pagamento de propinas e favorecimento em contratos.
Entre os investigados esteve Michael Ganor, representante da empresa alemã em Israel, acusado de participar de um esquema envolvendo pagamentos milionários a pessoas relacionadas ao processo de contratação.
O então primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não foi indiciado criminalmente no caso, embora sua atuação política tenha sido alvo de críticas e questionamentos durante as investigações.
Apesar das controvérsias, o programa avançou até a conclusão e incorporação do INS Drakon.
Com a entrada do novo submarino em serviço, Israel conclui a sexta unidade da classe Dolphin II e mantém o processo de modernização de sua frota, enquanto prepara a transição para a próxima geração de submarinos estratégicos.
*Da Agência Fonte Exclusiva.








