Militares da Guiné-Bissau anunciaram nesta quarta-feira (26) a prisão do presidente Umaro Sissoco Embaló e a tomada do poder do país, após as eleições presidenciais realizadas no domingo (23), segundo informações da France24. Embaló, apontado como favorito à reeleição, foi detido e levado ao quartel-general do Estado-Maior, onde fontes afirmam que permanece “bem tratado”. Além do presidente, o chefe do Estado-Maior e o ministro do Interior também foram presos.
A mídia local informou que Domingos Simões Pereira, líder da oposição cuja candidatura havia sido barrada pelo Supremo Tribunal, também foi detido. Antes da prisão, Embaló confirmou por telefone que havia sido deposto, mas encerrou a ligação por receio de que seu aparelho fosse confiscado.
O general Denis N’Canha, chefe do Gabinete Militar da Presidência, declarou que um comando integrado por todos os ramos das Forças Armadas assumiria o controle do país “até segunda ordem”. Segundo os militares, a ação visa impedir um suposto “plano de desestabilização” envolvendo políticos nacionais e estrangeiros, que incluiria manipulação eleitoral e armazenamento de armas de guerra.
Como consequência do golpe, as eleições presidenciais e legislativas foram canceladas. Fronteiras terrestres, marítimas e aéreas foram fechadas, um toque de recolher das 19h às 6h foi imposto e veículos de comunicação tiveram suas atividades suspensas.
Testemunhas relataram troca de tiros próximas ao palácio presidencial enquanto militares bloqueavam a principal via de acesso ao prédio. O anúncio oficial da tomada de poder foi feito em comunicado lido no quartel-general do Exército, na capital Bissau, na presença de jornalistas da AFP.
A Guiné-Bissau, pequena nação costeira entre Senegal e Guiné, tem histórico marcado por instabilidade política. Desde a independência de Portugal em 1974, o país registrou pelo menos nove golpes de Estado. Embaló havia assumido o poder em 2020, e o episódio desta semana reforça o padrão de crises políticas que marcam a história recente da nação, um dos países mais pobres do mundo.
*Da Agência Fonte Exclusiva








