O Globo -Cerca de 1,5 mil voluntários entre 18 e 50 anos participaram da série de três “shows-pesquisa” em Leipzig, feito pela universidade Halle. O cantor Tim Bendzko tocou em todos os três shows.
O responsável pelo estudo, Stefan Moritz, disse que ficou “muito satisfeito” com a forma como a experiência foi conduzida.
O estudo é feito em um momento em que a Alemanha registra o maior número de infecções por covid-19 desde o final de abril.
Mais de 2 mil casos foram registrados nas últimas 24 horas, totalizando 232.082 casos, segundo o instituto Robert Koch.
O show foi apelidado de Restart-19 e criado para “investigar as condições para que esses eventos possam ser realizados apesar da pandemia”, segundo os pesquisadores.
Cientistas planejaram três cenários diferentes para os 4 mil visitantes do Quarterback Immobilien Arena de Leipzig ao longo do sábado.
O primeiro show tentou simular um evento antes da pandemia; o segundo teve mais medidas de higiene e distanciamento social; e o terceiro teve metade do número de pessoas com cada pessoa a 1,5 metros de distanciamento.
Para minimizar o risco de infecção, todos os voluntários foram testados com antecedência e tiveram suas temperaturas verificadas. Equipados com seus rastreadores, máscaras e desinfetante fluorescente, eles foram então solicitados a simular diferentes cenários de shows ao longo de 10 horas: um sem distanciamento social, outro com medidas de segurança moderadas e um terceiro com medidas rígidas.
Cada repetição incluía performances de Bendzko e um intervalo, durante o qual os participantes simulavam idas a vendedores de comida e bebida e iam ao banheiro. Através de rastreadores, a equipe monitorou o número de vezes que os participantes chegaram perto uns dos outros e utilizaram lâmpadas ultravioleta para determinar quais superfícies estavam cobertas com o desinfetante mais fluorescente ao final do dia.
O estudo está sendo conduzido por Stefan Moritz, chefe do departamento clínico de doenças infecciosas da universidade. Em entrevista por telefone, ele diz que o experimento foi uma resposta à escassez de literatura científica disponível para os legisladores sobre os perigos de eventos como o de sábado. Moritz concluiu que a melhor maneira de reunir dados confiáveis seria organizar um concerto de verdade.
— Sabemos que os contatos pessoais em shows são arriscados, mas não sabemos onde eles acontecem. É na entrada? Na arquibancada? — questiona.
Moritz afirma que a descoberta mais intrigante provavelmente está relacionada à disseminação de aerossóis. Recentemente, cientistas confirmaram que o vírus pode permanecer suspenso no ar em ambientes fechados, possivelmente por horas.
Para simular a propagação de aerossóis na arena no sábado, os funcionários usaram uma máquina de fumaça para emitir uma nuvem de névoa, que subiu antes de espiralar e se espalhar para o público. A propagação das partículas no espaço foi medida pelos membros da equipe, que irão compará-la com os dados coletados por sensores de dióxido de carbono durante o estudo.








