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Especialistas explicam por que Guerra da Ucrânia ainda está longe do fim

Um ano após a invasão da Rússia na Ucrânia, nenhum dos dois países parece dar indícios de que está disposto a negociar por vias diplomáticas

redacao Por redacao
24/02/2023 - 07:52
em Mundo
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guerra da Ucrânia faz 3 anos

Soldados ucranianos na linha de frente no Donbass, leste da Ucrânia, em 11 de abril de 2022 Diego Herrera Carcedo/Anadolu Agency via Getty Images

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Um ano após a invasão da Rússia na Ucrânia, o conflito – que deixou cerca de 8.000 civis mortos, segundo o último levantamento divulgado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) – ainda parece longe do fim.

Segundo especialistas consultados pela CNN, a resolução do conflito terá de passar pelas vias diplomáticas, mas nenhum dos dois países parece dar indícios de que está disposto a negociar neste momento.

Segundo a professora de relações internacionais na ESPM Carolina Boniatti Pavese, embora não pareça no atual contexto, a diplomacia ainda é o mecanismo mais provável para uma conclusão do conflito entre Ucrânia e Rússia.

“O caminho diplomático nessas situações ocorre, sobretudo, de modo informal”, explicou. “A não formalização das tratativas diplomáticas é uma questão de escolha estratégica das partes, por julgarem que ainda podem derrotar o rival ou por perceberem que um acordo está longe de ser alcançado.”

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Para Pavese, o fato de ambos os países estarem ampliando sua capacidade militar não quer dizer que não exista um diálogo em curso, mas a paz ainda parece distante da realidade.

“Para uma solução diplomática ser duradoura é crucial que todos façam concessões e abandonem a narrativa belicosa de descredibilizar completamente os interesses e as percepções do outro.”

Pavese disse, no entanto, que parece que nenhum dos dois países está disposto a renunciar a seus interesses antagônicos por enquanto e, “sobretudo, deixar de se colocar como o dono da verdade”.

A professora de relações internacionais na Universidade Federal de Sergipe (UFS) Bárbara Motta concorda que, independente do resultado final do conflito, “a diplomacia necessariamente vai ter que desempenhar algum papel, ou então teremos uma guerra interminável”.

Mesmo assim, ela ressaltou que o cenário não parece favorável para que exista um acordo diplomático entre ambas as partes no curto ou médio prazo.

Ela explicou que, ao que parece, para o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a vitória significa recuperar todos os territórios ocupados pela Rússia, incluindo a Crimeia. “Esse último ponto é algo que talvez seja impossível, é muitíssimo pouco provável.”

Ela explicou que o caminho diplomático da resolução do conflito só será possível quando ambos os países esclarecerem pontos de partida como: o que significa vencer? Do que os países estão dispostos a abrir mão e do que não estão? Qual o mínimo negociável?

“Essa delimitação é importante para ajustar as expectativas e as políticas possíveis para o fim do conflito.”

Motta também apontou que a comunicação e as negociações entre Rússia e Ucrânia estão paralisadas há muito tempo, o que também dificulta um final diplomático.

Danielle Jacon Ayres Pinto, professora de relações internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), afirmou: “Uma guerra sempre vai ter que ser resolvida pela diplomacia.”

“A questão é que até chegar o momento no qual a diplomacia vai começar a n

Ela explicou que dificilmente uma guerra acaba porque um lado se sobrepôs ao outro e, mesmo nestes casos, é a diplomacia que permite que as relações entre os países se reorganizem do ponto de vista político.

Ayres pontuou que um dos fatores que dificultam essa resolução é o envolvimento de outros países no conflito. “Essa guerra não é só entre a Ucrânia e a Rússia.”

Ela disse que, principalmente para os Estados Unidos, que representa o mundo ocidental, é interessante que a guerra se prolongue para que o país siga sendo a maior potência militar do mundo.

Ayres ainda falou sobre como a ideia de uma “resistência ucraniana” – frequentemente propagada pelos países do ocidente – pode estar prejudicando a população do país. “Com a economia reduzida, a população deslocada. O que será reconstruir a Ucrânia depois dessa guerra, mesmo que ela saia vitoriosa do conflito?”

O professor do departamento de estudos estratégicos e relações internacionais na Universidade Federal Fluminense (UFF) Vitelio Marcos Brustolin explicou que uma solução diplomática parece improvável neste momento, mas que mesmo assim ainda sobrariam muitas questões para serem acertadas.

“Vamos imaginar que houvesse uma negociação na qual os russos ficariam com uma parte da Ucrânia. Se a Ucrânia cedesse Donbass e a Crimeia e a Rússia concordasse em devolver outros territórios. Ainda ficaria em aberto a questão de quem vai pagar pelos danos na Ucrânia”, disse.

Além disso, também existe a questão dos crimes de guerra que a Rússia supostamente cometeu. “A Cruz Vermelha Internacional e a própria ONU apontam violações de direitos e crimes de guerra cometidos”, lembrou. “Esses crimes de guerra deveriam ser julgados, deveria ser criado um tribunal extraordinário para o julgamento.”

“A diplomacia está inviabilizada de resolver a guerra no momento, o que não significa que ela não possa resolver no futuro”, explicou Brustolin.

Ele também ressaltou a importância de evitar novos conflitos no futuro. “A solução diplomática também tem que levar em conta o grau de satisfação e de insatisfação de ambos os lados, para que isso não se torne outra situação daqui a alguns anos.”

Com informações da CNN.

Tags: #Guerra da Ucrânia#UcrâniaRússia
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